Faltou apetite? Ações do Banco Pine (PINE4) desabam 11% após oferta de ações
As ações do Banco Pine (PINE4) caem após precificar sua oferta de ações. Por volta das 14h31, o papel desabava 12,82%, a R$ 10,74.
Sem demanda para o lote adicional, o banco captou R$ 245 milhões. O teto era de R$ 400 milhões. A operação saiu a R$ 11,25, com a emissão de 21,8 milhões de ações, abaixo do fechamento de terça-feira (3), quando PINE4 encerrou o dia a R$ 12,32. Ou seja, mesmo com um deságio, os investidores não mostraram tanto apetite assim.
Ao todo, o acionista controlador, Norberto Nogueira Pinheiro, aportou R$ 60 milhões, passando a deter 24,70%. Por se tratar de uma oferta primária, o dinheiro irá para o banco, ou seja, para financiar suas operações.
A intenção é utilizar os recursos da oferta para otimizar sua estrutura de capital. Faz sentido, já que o Pine teve uma virada no último ano.
Os lucros quase triplicaram no quarto trimestre, saindo de R$ 67,1 milhões em 2024 para R$ 183 milhões em 2025. A rentabilidade também acompanhou a escalada. O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) subiu para 36%, acima da média do mercado.
Os números se refletiram na bolsa, com a ação saltando 200% em 2025, o que chamou a atenção do buy side. Antes pouco coberto por analistas, quatro bancos iniciaram cobertura, todos com recomendação de compra. A oferta viria justamente para dar mais liquidez a um papel pouco acompanhado pelo investidor comum.
Além disso, seria mais uma alavanca para dar impulso à nova avenida de crescimento: o crédito consignado.
Consignado privado é uma avenida
A nova modalidade, criada no ano passado e que funciona como empréstimo com desconto direto em folha, beneficiou o banco.
Para o Bradesco BBI, o Pine construiu rapidamente uma carteira relevante, aproveitando-se dos spreads mais elevados do produto.
O banco já alcançou 5,9% de market share no terceiro trimestre, após apenas dois trimestres de operação, com uma carteira de R$ 3,5 bilhões.
Enquanto isso, a rentabilidade subiu para 29% no segundo trimestre e 34% no terceiro, ante 25% no primeiro trimestre de 2025, “refletindo o caráter altamente assertivo do produto para os retornos da operação”.
O BTG Pactual vai na mesma linha ao afirmar que o Banco Pine se tornou um dos protagonistas do crescimento do novo mercado de crédito consignado privado.