Empresas

BB Seguridade (BBSE3): Operacional “sangra”, mas é salvo por resultado financeiro e dividendos

10 fev 2026, 12:28 - atualizado em 10 fev 2026, 12:28
BB Seguridade
(Imagem: Divulgação)

A BB Seguridade (BBSE3) encerrou 2025 com números robustos na última linha do balanço, mas o mercado recebeu os dados com cautela. O lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,29 bilhões no quarto trimestre (4T25) — alta de 5,1% na comparação anual — não foi suficiente para dissipar as dúvidas sobre a capacidade de crescimento da companhia no curto e médio prazo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ainda assim, o anúncio de dividendos com payout de quase 97% reforçou o papel da holding como “vaca leiteira” da bolsa e impulsionou as ações nesta terça-feira (10). Às 12h, BBSE3 subia cerca de 4%, a R$ 38,88.

O pano de fundo da cautela está no guidance para 2026, que sugere perda de fôlego justamente no momento em que o ciclo de juros elevados começa a virar.

O time do J.P. Morgan, liderado por Guilherme Grespan, adotou o tom mais cético. Em relatório, os analistas destacam que, embora o lucro tenha superado levemente as estimativas, o “motor operacional” terminou o ano em nota fraca.

“O lucro foi salvo por outro resultado financeiro forte, que representou 25% do resultado total, enquanto os prêmios emitidos caíram 9% no ano”, afirma o banco.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O resultado financeiro da BB Seguridade saltou 80,9% no trimestre, para R$ 577,3 milhões, impulsionado pela Selic elevada e ganhos de marcação a mercado. Com a perspectiva de queda da taxa básica em 2026, a leitura é de que esse impulso não deve se repetir com a mesma intensidade.

Do lado operacional, o próprio guidance da companhia projeta retração entre 3% e 7% no resultado operacional ex-juros e variação entre -3% e +2% nos prêmios emitidos. Para o J.P., isso implica contração de 5% a 6% no lucro líquido em 2026.

“A BB Seguridade tornou-se uma tese de crescimento zero de lucro por ação (EPS) para o período 2025-2027”, afirma o relatório.

Parte dessa deterioração é explicada por fatores setoriais. A BrasilSeg, braço de seguros, foi pressionada pela crise no agronegócio. O seguro agrícola recuou 42% na comparação anual, refletindo menor demanda e maior cautela na concessão de crédito rural.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Já a BrasilPrev, de previdência, viu as contribuições caírem 37% no trimestre, impactadas por mudanças nas regras de tributação (IOF) para planos VGBL, que alteraram a dinâmica de captação do mercado.

No BTG Pactual, o time, liderado por Eduardo Rosman, adota postura mais equilibrada. O banco classifica o guidance como “em linha com o consenso”, mas reconhece que o cenário é desafiador — especialmente porque o forte encerramento de 2025 cria “comparações mais difíceis” para 2026.

A projeção do BTG também aponta para contração de cerca de 5% no lucro líquido no próximo ano, refletindo juros mais baixos e ambiente ainda difícil para expansão de receitas.

A Ágora Investimentos/ Bradesco BBI, em relatório assinado por Ricardo França, reforçam que o destaque positivo do trimestre foi essencialmente financeiro. Para a casa, o segmento rural — historicamente um pilar da companhia — sofreu um duro golpe com a queda de 42% no seguro agrícola, o que ajuda a explicar o guidance conservador para prêmios em 2026.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No fim, o consenso é que a BB Seguridade entregou um trimestre tecnicamente forte, mas com crescimento cada vez mais dependente do resultado financeiro. Com a Selic em trajetória de queda, o mercado agora debate se o dividend yield ao redor de 10% é suficiente para compensar a desaceleração do lucro.

O J.P., o mais pessimista, manteve sua recomendação underweight (equivalente à venda), com preço-alvo em R$ 41, argumentando que, embora o dividendo de 10% seja atraente, ele não é suficiente para compensar a falta de crescimento e os ventos contrários da Selic. O BTG segue neutro, com alvo em R$ 41, bem como o Bradesco BBI, que tem alvo sob revisão.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar