BCE mantém juros e reforça ‘boa posição’, mesmo diante de mercados instáveis
O Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas de juros nesta quinta-feira (5), conforme esperado, e não indicou seu próximo movimento, reforçando a expectativa de que a política monetária permanecerá estável por algum tempo, já que a região registra crescimento consistente e inflação próxima da meta.
O BCE mantém os juros desde que encerrou uma série de cortes em junho. O crescimento resiliente da economia, aliado à diminuição das pressões sobre os preços, reduziu praticamente toda a necessidade de apoio adicional por parte das autoridades monetárias. Alguns analistas descrevem o atual cenário benigno como um verdadeiro “nirvana dos banqueiros centrais”. Mesmo assim, o BCE evitou dar qualquer sinal sobre seu próximo passo, sugerindo que debates sobre ajustes na política monetária são improváveis a curto prazo.
“A economia continua resiliente em um ambiente global desafiador”, afirmou o BCE em comunicado. “Ao mesmo tempo, as perspectivas ainda são incertas, devido principalmente à política comercial global e às tensões geopolíticas.” O banco central acrescentou que sua avaliação atualizada confirma que a inflação deve se estabilizar em torno da meta de 2% no médio prazo.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, deve repetir que a política monetária está em uma “boa posição” e que não há sentido em discutir a direção da próxima mudança, seja quando for que ela ocorra. “O Conselho do BCE está determinado a garantir que a inflação se mantenha na meta de 2% no médio prazo”, reforçou o comunicado, destacando que a instituição seguirá uma abordagem dependente dos dados, reunião a reunião, para definir sua postura.
Em sua primeira reunião desde a entrada da Bulgária no bloco monetário, Lagarde também deverá enfrentar perguntas sobre a volatilidade dos mercados financeiros, incluindo o impacto da recente queda e recuperação do dólar nas perspectivas do BCE. Um euro forte frente ao dólar reduz os custos de importação, especialmente de energia, e ajuda a conter a inflação, que atualmente está abaixo da meta, ainda que de forma temporária.
O foco principal do BCE, a inflação, caiu para 1,7% na zona do euro no mês passado devido à redução nos custos de energia e pode recuar ainda mais antes de uma recuperação prevista para o próximo ano, lembrando os desafios enfrentados pelo BCE na década anterior à pandemia para estimular a alta dos preços.