Bilionário autodidata por trás da Brex fechou Noronha para casar — e gastou R$ 10 milhões só na festa
A venda da fintech brasileira de cartões corporativos Brex ao Capital One por mais de US$ 5 bilhões, anunciada na última semana, sacudiu o mercado. Apesar da cifra gorda, o acordo foi visto com ressalvas, já que a empresa chegou a valer US$ 12 bilhões no auge do mercado privado.
O CEO Pedro Franceschi disse que o negócio refletiu uma escolha pela “realidade”. Um conceito que, no caso dos fundadores, é relativo: seu sócio, Henrique Dubugras, por exemplo, já protagonizou um casamento estimado em cerca de R$ 10 milhões.
Em outubro de 2023, a festa colocou o jovem bilionário na boca do povo pela extravagância. Dubugras fechou alguns pontos turísticos de Fernando de Noronha por dez dias para realizar a cerimônia de casamento com a engenheira de software Laura Fiúza.
Os detalhes da festa milionária de casamento
Para ter uma noção do luxo, um dos pontos locados exclusivamente para as centenas de convidados do bilionário foi o Forte de Nossa Senhora dos Remédios. Só para isso, as diárias ficaram na casa dos R$ 100 mil à época.
Além disso, para acomodar os convidados eles fecharam as (sim, no plural) pousadas mais luxuosas da ilha, tais como: Nannai, Akanã e Maravilha. As diárias ficam na casa dos R$ 5 mil. Todos os quartos ficaram lotados.
Para os convidados chegarem lá, os noivos locaram três voos exclusivos da Azul. Outros convidados ilustres chegaram de helicóptero. Houve até uma aeronave separada exclusivamente para levar as flores do casamento.
No total, foram transportadas 20 toneladas de insumos — incluindo alimentos, louças, pratos, equipamentos de som, Iluminação e decoração chegaram de navio em Fernando de Noronha, no que custou cerca de R$ 50 mil.
Não há consenso sobre o número total de convidados, mas estimativas da imprensa apontam para algo entre 400 e 600 pessoas. Outros turistas continuaram circulando pela ilha — sem, no entanto, ter acesso aos pontos turísticos reservados exclusivamente pelo bilionário.
Dos 10 dias em Noronha, quatro foram de festas. As atrações foram: Maroon 5 e a o DJ Alok.
Mas, apesar de o dinheiro ter conseguido comprar tudo isso, não foi capaz de obter o prestígio de um convidado que o casal esperava: Bill Gates. O multibilionário era esperado na festa, mas segundo informações da imprensa, não deu as caras.
Os bilionários autoditadas por trás da Brex
Henrique Dubugras e Pedro Franceschi, fundadores do Brex, se conheceram por meio do X, quando a rede social ainda se chamava Twitter e não estava nos planos de Elon Musk. Autodidatas em programação, eles evoluíram disso até chegarem a fundar a fintech Pagar.me, em 2013, quando não tinham nem 20 anos.
O negócio foi posteriormente vendido para a Stone e a dupla usou os recursos para se mudar para os Estados Unidos, onde passaram um tempo estudando em Stanford. Eles largaram o curso para fundar a Brex em 2017.
Semana passada, a venda da Brex
por US$ 5,15 bilhões foi anunciada e classificada como o maior deal já realizado entre um banco e uma fintech. No entanto, o negócio representou um desconto de quase 60% em relação aos US$ 12,3 bilhões captados na última rodada de captação privada de recursos, em outubro de 2021.
Na época os juros norte-americanos estavam na casa dos 0,25%. Hoje, eles estão no intervalo de 3,50% e 3,75%. A Brex já atraiu grandes fundos e investidores, como Tiger Global, Peter Thiel e Max Levchin — cofundadores do PayPal — , o fundo soberano de Singapura (GIC), Ribbit Capital e Greenoaks, entre outros, em sua trajetória.
Em entrevista à Bloomberg, o CEO Pedro Franceschi disse que a Brex foi avaliada com um múltiplo de 13 vezes, um prêmio sobre concorrentes listados em bolsas americanas.
“Quando nós olhamos para empresas de capital aberto que estão no setor de fintechs, elas estão negociando entre 8 e 11 vezes. Essa aquisição representa um múltiplo de 13 vezes, portanto, é um enorme prêmio em relação a empresas listadas [que são pares] hoje”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de manter a Brex no mercado privado por mais tempo, na tentativa de recuperar os patamares de avaliação do passado, Franceschi afirmou que a experiência recente trouxe uma leitura mais realista sobre aquele momento.
Segundo ele, os valuations observados em 2021 refletiram condições muito específicas do mercado privado, que dificilmente se repetem nas mesmas proporções.