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BNP Paribas Asset adota postura defensiva e evita ‘apostas binárias’ diante da guerra no Irã

10 mar 2026, 8:00 - atualizado em 09 mar 2026, 20:21
Marcos Kawakami, líder de renda variável da BNP Paribas Asset Management Brasil
Marcos Kawakami, líder de renda variável da BNP Paribas Asset Management Brasil (Divulgação)

Em meio à escalada de tensões no Oriente Médio e o avanço do petróleo, a BNP Paribas Asset Management Brasil opta por uma estratégia de cautela. Para Marcos Kawakami, líder de renda variável da gestora, a incerteza sobre a duração do conflito torna qualquer aposta direcional extremamente arriscada, levando a instituição a priorizar o equilíbrio de riscos em suas carteiras.

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O “nó de decisão” para o investidor, segundo Kawakami, depende de variáveis políticas e militares imprevisíveis. “Eu acho que a melhor decisão de um gestor hoje é ficar mais defensivo”, disse ao Money Times.

Na prática, isso significa manter a exposição dos fundos de ações similar ao Ibovespa. “Mas se eu estivesse em um fundo de retorno absoluto, por exemplo, talvez eu aumentasse a minha exposição de caixa pensando em esperar para ver o que vai acontecer”, disse.

“Eu prefiro não fazer essa tomada de decisão [sobre o desfecho da guerra] porque tenho muito pouca informação”, explica Kawakami. “Se tiver a solução da guerra rapidamente, eu vejo se os preços dos ativos e consumo discricionário, por exemplo, ou que são ativos de mais longa duração, estão adequados pela minha expectativa ou não”.

O ‘cronômetro’ das seis semanas e a logística global

A fundamentação para essa cautela reside no impacto logístico e produtivo. Kawakami destaca que 30% do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz, região sob influência direta do Irã e cujo tráfego pode ser em breve paralisado.

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Para o líder de renda variável da BNP Paribas, o mercado vive uma contagem regressiva baseada nos estoques. “Quatro semanas a seis semanas é mais ou menos o estoque médio da região. A partir daí, já começa a ficar preocupante o nível de oferta e demanda de petróleo”, analisa.

Ele pontua que o petróleo “andou o quanto andou” porque o mercado não havia vislumbrado ou precificado a magnitude dos ataques semanas antes.

Kawakami identifica uma “conjunção de fatores” que pressiona os ativos brasileiros. O primeiro é a fuga de capital: “Vínhamos de um momento muito positivo para emergentes, mas a aversão ao risco gera uma saída de investimentos do Brasil e causa depreciação cambial”.

Além do câmbio, o executivo alerta para a correlação direta entre o preço do barril e a inflação doméstica, o que já provocou uma abertura na curva de juros (alta de 50 a 70 basis points nos vértices).

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“Juros mais elevados fazem com que os lucros das empresas sejam mais baixos pelo custo financeiro, além de expandir a taxa de desconto da bolsa, o que joga o preço dos ativos para baixo”, detalha o especialista da BNP Paribas.

A ‘árvore’ de decisão

Embora prefira a neutralidade no momento, Marcos Kawakami desenha dois perfis de decisão para quem deseja operar o risco geopolítico:

  • Cenário de Guerra Curta (até 2 semanas): Se a solução for rápida, a estratégia seria vender petróleo e comprar ativos domésticos (que sofreram a maior queda recente).

  • Cenário de Guerra Longa (mais de 6 semanas): A estratégia seria manter a compra em petróleo e vender ativos sensíveis a juros, que continuarão sofrendo com a pressão inflacionária e monetária.

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Editor
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.

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