Boa Safra (SOJA3): Bradesco BBI rebaixa ação e corta preço-alvo por queda no ROIC e pressão para margens
A Boa Safra (SOJA3) teve a recomendação de suas ações rebaixada pelo Bradesco BBI, que passou a classificar o papel como neutro, ante recomendação anterior de compra. O banco também revisou o preço-alvo para o fim de 2026 para R$ 9,00 por ação, abaixo dos R$ 14,00 estimados anteriormente.
A Boa Safra reporta seus números referentes ao quarto trimestre de 2025 (4T25) nesta terça-feira, após o fechamento do mercado.
Segundo o relatório, a tese de investimento mudou de forma relevante diante da queda expressiva no retorno sobre o capital investido (ROIC) e de um cenário de crescimento mais limitado. A estimativa do BBI é que o ROIC da companhia recue de 26,4% em 2023 para 7,8% em 2025, refletindo um modelo de negócios mais intensivo em capital e a desaceleração do ritmo de expansão.
Após atingir cerca de 280 mil big bags produzidos em 2025, mais que o dobro do nível registrado em 2021 (ano do IPO), a expectativa é de produção estável em 2026. Embora o banco considere a estratégia adequada diante do excesso de oferta no setor de sementes, o movimento também indica menor espaço para ganho de participação de mercado.
Outro ponto de atenção destacado para a Boa Safra é a pressão sobre os retornos operacionais. Desde 2020, a empresa alocou cerca de R$ 1,2 bilhão em capital de giro ao ampliar prazos para clientes, o que reduziu o giro de ativos. Ao mesmo tempo, o EBITDA por big bag caiu cerca de 55% desde o pico de 2022, impactado por maiores descartes, ambiente de preços mais desafiador e aumento do custo de servir.
Além disso, a alavancagem financeira aumentou, com a holding atingindo um múltiplo de cerca de 3,4 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses, enquanto o crescimento das provisões sugere deterioração na qualidade dos recebíveis.
O banco também aponta um ambiente competitivo mais acirrado, menor relevância dos grandes varejistas agrícolas e margens pressionadas pelo excesso de oferta no mercado de sementes.
Na avaliação do Bradesco BBI, diversos fatores passaram a pesar contra a tese de médio prazo da companhia. Parte dos desafios é estrutural — como o aumento da concorrência e mudanças no canal de varejo agrícola — e parte específica da empresa, incluindo perda de eficiência comercial e maior capital empregado por cliente sem a contrapartida esperada em preços e margens.
Apesar de o banco reconhecer que a consolidação do setor e uma eventual recuperação de rentabilidade no pós-ciclo ainda possam ocorrer, não há evidências claras de um ponto de inflexão no curto prazo.
Com produção estagnada, margens pressionadas, queda relevante do ROIC e baixa visibilidade de retomada do crescimento rentável, o BBI avalia que os gatilhos para uma reavaliação positiva das ações seguem limitados.