Boa Safra (SOJA3): Citi segue passos do Itaú BBA e rebaixa ação por pressão para sementes
O Citi rebaixou sua recomendação para Boa Safra (SOJA3) de compra para neutra, com novo preço-alvo de R$ 10 (ante R$ 10,97).
O movimento está atrelado a um 4T25 mais fraco que o esperado, em meio a um cenário de concorrência intensa e pressão sobre preços no setor de sementes no Brasil.
No mês passado, foi a vez do Itaú BBA rebaixar sua recomendação e reduzir o preço-alvo da ação de R$ 15 para R$ 10.
Segundo o Citi a expectativa é de crescimento das receitas na comparação anual, impulsionado pelo aumento da produção de sementes em 2025, favorecida por condições climáticas melhores do que no ano anterior.
Apesar disso, o banco revisou suas estimativas para baixo ao identificar perdas maiores do que o esperado por questões de qualidade, além de um ambiente competitivo mais agressivo no último trimestre.
O relatório destaca que parte dos concorrentes enfrenta restrições financeiras, o que tem levado à adoção de reduções significativas de preços para garantir volumes de venda.
Esse movimento intensificou a pressão sobre o setor e deve afetar negativamente as margens da Boa Safra, com menor diluição de custos fixos, preços mais baixos das sementes, possível deterioração do mix de vendas de tratamento industrial de sementes (TSI) e elevação das despesas administrativas e comerciais em relação ao ano anterior.
Para o 4T25, o Citi projeta receita líquida de R$ 1,1 bilhão, Ebitda ajustado de R$ 104 milhões e lucro líquido ajustado de R$ 59 milhões. A companhia reporta seus números em do 4T25 em 24 de março.
Ajuste no agro e recuperação mais à frente
Embora reconheça a solidez operacional da companhia, o banco avalia que os múltiplos atuais limitam a atratividade do papel em um momento de ajuste mais amplo do agronegócio. A ação está sendo negociada a um múltiplo de 4 a 5 vezes o EV/EBITDA e a 12 a 13 vezes o lucro ajustado projetado para 2026 e 2027, indicando como o mercado avalia o valor da empresa em relação à sua geração de caixa e aos resultados esperados.
O Citi destaca que a Boa Safra continua avançando em iniciativas voltadas à eficiência, como a racionalização do portfólio de sementes, o controle de despesas e o foco na plena utilização da capacidade produtiva em 2026, o que pode ajudar a reduzir perdas operacionais.
O relatório também aponta que players relevantes do setor seguem sob pressão financeira, com ao menos uma empresa anunciando recentemente o encerramento de suas atividades.
Nesse contexto, a liderança de mercado da Boa Safra pode abrir espaço para ganhos adicionais de participação, sem a necessidade de expansão de capacidade no curto e médio prazos, além de contribuir para uma dinâmica competitiva mais equilibrada no futuro.
Ainda assim, o banco ressalta que o segmento de sementes de soja no Brasil atravessa um período de ajuste, caracterizado por elevada capacidade ociosa.
Uma recuperação mais consistente das margens do agronegócio é esperada apenas a partir de 2027, quando a demanda por grãos tende a superar a oferta, sustentando preços mais firmes da soja e incentivando a retomada da expansão da área plantada.
Em termos de alocação de capital, o Citi avalia que a Boa Safra deve manter uma estratégia centrada em investimentos de manutenção, com foco em eficiência operacional e diversificação para outras culturas, sem expansão da capacidade de sementes de soja até pelo menos 2028.