Taxa Selic

BofA vê apenas um corte na Selic e eleva projeção da taxa para 14,25% no fim deste ano

05 jun 2026, 16:11 - atualizado em 05 jun 2026, 16:11
(Imagem: iStock/ Rmcarvalho

O Bank of America (BofA) elevou a projeção para a taxa básica de juros, a Selic, de 13,25% para 14,25% ao ano em dezembro, o que implica em um último corte nos juros na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), em 17 de junho, seguido de uma pausa “prolongada” até meados de 2027.

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Em relatório, o chefe de economia do Brasil, David Beker, avalia que o cenário macroeconômico tornou-se significativamente menos favorável para cortes na Selic.

Segundo ele, a mudança reflete uma combinação de deterioração da dinâmica inflacionária atual, aumento das expectativas de inflação e desvalorização do real.

Ao mesmo tempo, a atividade econômica permanece sustentada por estímulos fiscais e de crédito contínuos, adiando o ajuste necessário nas condições de demanda.

O economista ainda destaca que os riscos adicionais de alta decorrentes de choques como o El Niño e a mudança para a jornada de trabalho de 6×1 ainda não foram incorporados na estimativa do banco para a Selic, mas apontam para uma maior persistência da inflação no futuro, “complicando” a política monetária.

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“Nesse cenário, o espaço para novas flexibilizações monetárias é limitado, e o patamar para cortes adicionais tornou-se significativamente mais elevado, condizente com o retorno a um contexto de juros altos por um período prolongado”, avalia Beker.

O BofA também não prevê aumento nos juros até meados de 2027. “Embora os riscos estejam inclinados para o lado positivo, não prevemos um aumento das taxas de juros pelo Banco Central, já que as taxas reais permanecem restritivas em 9,5%”, diz o relatório.

Para o banco, o afrouxamento monetário poderá ser retomado em sintonia com o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) no próximo ano.

O banco também ajustou a estimativa para Selic em 2027 para de 13,25% ao ano, ante a projeção anterior de 12,50% ao ano.

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Expectativa para inflação

No relatório, o BofA afirma que o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), principal referência de inflação para o BC, subiu de 4,37% em meados de abril para 4,68% em maio, nas contas do banco. O dado oficial de mês passado será divulgado na próxima sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O banco também avalia que as expectativas de inflação se distanciaram da meta, de acordo com o último Relatório Focus: a expectativa mediana do IPCA para dezembro deste ano atingiu 5,09%, 23 pontos-base acima da estimativa do BC.

Mesmo com a queda dos preços do petróleo desde a última decisão do Copom, em abril, e com a taxa de câmbio a R$ 5,05, o BofA prevê uma inflação próxima a 3,5% no final do horizonte relevante do BC.

Já em um ambiente de real mais forte, em torno de R$ 5,15, o BofA projeta uma inflação a 3,6%, também acima da meta do BC.

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No cenário-base do banco, a inflação permanece acima do limite superior da meta até meados de 2027, reforçando a visão de que a convergência será lenta.

“À medida que os efeitos dos recentes estímulos fiscais/de crédito diminuem, a desaceleração cíclica da atividade deve ser retomada e ajudar a conter a inflação”, diz o economista.

Selic mais alta por mais tempo

A previsão do BofA de Selic a 14,25% ao ano em dezembro é compartilhada com o BTG Pactual.

Além disso, na última semana, outros grandes players do mercado revisaram seus modelos para o cenário macroeconômico brasileiro.

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O Itaú BBA elevou a projeção da Selic terminal de 2026 de 13,25% para 13,75%, considerando que o comportamento recente dos dados macroeconômicos e a piora da inflação global não abrem espaço para aceleração do afrouxamento monetário pelo Banco Central, mesmo com alguma acomodação dos preços de petróleo.

A XP Investimentos e o Barclays também subiram a estimativa da taxa básica de juros de 13,75% para 14% em dezembro deste ano. O BTG Pactual, por sua vez, revisou a estimativa da Selic de 13% para 14,25%.

Nesta sexta-feira (5), a curva de juros futuros passou a precificar 60% de chance de que a taxa básica de juros, a Selic, fique estável em 14,50% na próxima decisão do Copom.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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