Bradesco (BBDC4): Ações ficaram caras após rali de 70%? Veja o que fazer com papel
O Bradesco (BBDC4) foi um dos melhores alunos entre os bancões em 2025. Após números tenebrosos, sob a batuta do CEO Marcelo Noronha, o banco conseguiu melhorar lucro, inadimplência e ROE (retorno sobre o patrimônio líquido). Enfim, ultrapassou o custo de capital, estimado em 15%.
Tanta entrega fez o banco, inclusive, terminar o ano acima do esperado pelo guidance. A carteira de crédito encerrou 2025 com crescimento de 11%, acima da expectativa de 10%. Mas, no mercado, a regra é clara: quanto mais entrega, mais se espera.
Bastou um guidance considerado conservador para que os investidores virassem a cara para a ação. Desde o after-market, o papel já dava sinais de que a sessão seria de queda, com a ADR despencando quase 6%.
Segundo o JPMorgan, a expectativa é de que o Bradesco encerre o ano com lucro de R$ 27,5 bilhões, cifra 2,4% inferior à estimativa anterior, de R$ 28,2 bilhões. Parte do mercado também esperava algo próximo de R$ 30 bilhões.
“Acreditamos que havia alguma esperança de que o Bradesco pudesse a surpresa mais significa nos lucros, que não se concretizaram”, escreve o BTG,
No trimestre, o banco reportou lucro recorrente de R$ 6,5 bilhões, alta de 20,6% em relação ao mesmo período de 2024.
O número ficou pouco acima do esperado pelo consenso da Bloomberg, que projetava lucro de R$ 6,3 bilhões no período.
No acumulado de 2025, o lucro subiu 28%, para R$ 24 bilhões.
Já o ROE mostrou nova evolução: avançou 2,5 pontos percentuais no ano e 0,5 ponto percentual no trimestre, para 15,2%. Com a Selic, a taxa básica de juros, em 15%, o banco superou, assim, o custo de capital.
Segundo analistas, no trimestre o principal motor do resultado continuou sendo a Margem Financeira com Clientes (NII Clientes), que atingiu R$ 18,7 bilhões — novo recorde histórico —, com alta de 16% no trimestre.
O desempenho foi sustentado por melhor mix de crédito, maior eficiência no funding e efeito positivo do maior número de dias úteis, mais do que compensando a fraqueza persistente da margem com mercado e reforçando a recuperação estrutural das receitas.
Bradesco: Qualidade em dia
De acordo com a XP, a qualidade dos ativos permaneceu estável, com resiliência em pessoas físicas e melhora em grandes empresas compensando uma leve alta nas pequenas e médias empresas na comparação trimestral.
Do outro lado da balança, as provisões seguem robustas, segundo a corretora. O banco elevou a despesa com PDD — reserva de capital que os bancos fazem para lidar com inadimplência — em 20,5% no ano e 7,4% no trimestre, para R$ 10 bilhões.
‘Embora reconheçamos a trajetória positiva, continuamos monitorando essa linha de perto, dada a ainda desafiadora conjuntura macro’.
A carteira de crédito expandida alcançou R$ 1,09 trilhão, com crescimento concentrado em pessoa física e PMEs, refletindo o foco em linhas de maior qualidade, maior uso de garantias e melhor retorno ajustado ao risco.
Para o Safra, o problema não foi a qualidade dos ativos, com inadimplência (NPLs) estável e melhora contínua da carteira renegociada.
Outro destaque foi a seguradora do Bradesco, que manteve contribuição relevante para o resultado consolidado, com lucro líquido recorrente de R$ 2,8 bilhões, alta de 10,6% no ano, e ROAE de 24,3%, apoiado pelo crescimento de prêmios, resultado financeiro robusto e disciplina na sinistralidade.
Guidance azeda mercado
Como dito, as projeções para 2026 dominaram os relatórios dos analistas. Para o Safra, o guidance ficou abaixo do consenso, que esperava lucro implícito em torno de R$ 28,8 bilhões — ou entre R$ 28 bilhões e R$ 28,5 bilhões, conforme o ‘street talk’ ouvido entre investidores locais, após um discurso mais conservador recente.
‘As projeções abaixo do esperado para o NII ajustado ao risco provavelmente refletem maior cautela em relação ao ciclo de crédito, diante de um cenário volátil esperado para 2026. Além disso, observamos que o piso de crescimento de opex ainda indica alta acima da inflação’.
Já a Genial afirma que, em um ano eleitoral — no qual o cenário macro pode mudar de forma mais abrupta —, é natural que os bancos divulguem guidances mais conservadores no início do ciclo.
‘Em nossa visão, o Bradesco possui espaço para superar essas projeções, dado que está aproximadamente seis meses adiantado em seu plano de reestruturação, com potencial para uma redução mais agressiva de custos em 2026’.
O próprio CEO, Marcelo Noronha, afirmou que o banco deve cumprir da metade para cima das projeções.
Para 2026, o Bradesco espera que, com o risco de crédito controlado, a rentabilidade evolua por meio do aumento das receitas, com crescimento de até 10,5%.
Bradesco: a ação subiu demais?
De modo geral, o BTG diz que a situação está definitivamente melhor do que no início do ano. ‘A empresa permanece em uma trajetória clara e gradual de recuperação dos lucros, com resultados melhorando trimestre após trimestre e o ROE apresentando tendência de alta progressiva’.
Por outro lado, os analistas afirmam que o ritmo de recuperação do Bradesco em 2026 pode ser frustrante, considerando a forte valorização das ações. Só neste ano, o papel sobe 16%.
Nos cálculos do BTG, o Bradesco negocia a 1,3 vez o múltiplo preço/valor patrimonial, enquanto o ROE do quarto trimestre, de 15,2%, permanece abaixo do indicador projetado, ‘oferecendo, possivelmente, menos espaço para uma reavaliação’.
O Itaú segue mais bem posicionado para navegar e superar o mercado nos próximos anos e permanece como a única recomendação de compra da casa.
Já o Safra reiterou recomendação de compra para o Bradesco. Segundo os analistas, a rentabilidade ainda tem espaço para melhorar. Mesmo assim, o banco espera reação negativa no curto prazo, à medida que o mercado assimile que o ritmo dessa trajetória em 2026 tende a ser mais gradual.
Veja as recomendações;