Bradesco (BBDC4): CEO coloca panos quentes em queda; ‘Quem colocou dinheiro em R$ 14 está ganhando para burro’
O CEO do Bradesco (BBDC4) tratou de colocar panos quentes no tombo da ação em meio às altas expectativas do mercado. O problema nem foi o resultado em si, de R$ 6,5 bilhões, pouco acima da expectativa, mas o guidance, que indica lucro de R$ 28 bilhões, jogando água nos R$ 30 bilhões esperado por analistas.
Na abertura, o papel despencava 5%, a R$ 20,09.
Em coletiva com jornalistas, o executivo lembrou que a ação saltou 70% nos últimos 12 meses. E recordou que o investidor que colocou dinheiro quando a ação estava a R$ 14, em maio de 2025, ‘ganhou dinheiro para burro’.
A mensagem é de que o banco não irá crescer a qualquer custo, mesmo que o mercado espere que um passo maior.
“E acho que a gente continua com o upside, a gente vai continuar entregando, vai continuar crescendo o lucro líquido absoluto, o lucro líquido relativo aqui, o nosso ROE (retorno sobre o patrimônio liquido), sem ficar espantado por isso”.
O banco reportou lucro recorrente de R$ 6,5 bilhões no quarto trimestre de 2025, alta de 20,6% em comparação com o mesmo período de 2024.
No acumulado de 2025, o lucro subiu 28% para R$ 24 bilhões.
“É preciso seguir adiante. Existe um plano, que vem sendo executado com muita consistência e entrega. Se for olhar a carteira de crédito, houve crescimento em todas as frentes, sem exceção”.
Lucro de R$ 30 bilhões
Em outra fala, Noronha disse que a reação reflete um mercado mais exigente e com expectativas elevadas em relação ao papel. ‘O mercado cobra mais do que os chefes, cobra mais do que o conselho’, afirmou.
O executivo lembrou que, a cada trimestre, a régua sobe e que parte dos investidores passou a trabalhar com lucros na casa de R$ 30 bilhões ou até R$ 31 bilhões.
‘Internamente, ficou claro que não faz sentido perseguir crescimento de 30% ao ano no lucro líquido sacrificando competitividade no longo prazo. O plano sempre foi step by step’, disse.
Noronha destacou que a carteira de crédito cresceu 11%, mesmo diante de uma base comparativa forte. Segundo ele, caso haja espaço para avançar mais um ou dois bilhões, o banco irá fazê-lo, ‘sempre com disciplina e pé no chão’.