Bradesco (BBDC4) pode subir mais: Bradsaúde coloca até R$ 1,5 no preço da ação, vê Itaú BBA
Não é de hoje que o Bradesco (BBDC4) sobe na bolsa. O rali do papel começou ainda no ano passado e acumula alta de 90% nos últimos 12 meses. Depois dos bons resultados e recuperação dos indicadores de qualidade, abri-se mais um caminho para turbinar os lucros: o IPO reverso do Bradesco Seguros.
O banco vai aproveitar a Odontoprev (ODPV3), empresa que já controla, com 53% da participação, para colocar seus ativos de saúde e formar uma companhia de R$ 52 bilhões em receita e que pode chegar a bolsa valendo R$ 50 bilhões.
A medida foi elogiada por analistas, já que pode destravar valor para uma área considerada altamente lucrativa para o Bradesco. E se a nova empresa surge com potencial de alta interessante, a operação também vai beneficiar as ações do Bradesco.
Segundo o Itaú BBA, a listagem separada pode permitir ao mercado precificar melhor os ativos de saúde, que vêm apresentando melhora relevante nos últimos anos.
Nos cálculos do banco, se o novo veículo negociar entre 10x e 12x o P/L (preço sobre lucro) estimado para 2026, ante 7,6x do P/L consolidado do Bradesco, a operação poderia adicionar entre R$ 0,80 e R$ 1,50 por ação da BBDC4 — o equivalente a um ganho potencial de 4% a 7%, desconsiderando eventuais descontos de participação.
Na prática, o mercado passaria a enxergar com mais clareza o valor da operação de saúde, que hoje está diluído dentro do grupo.
“O veículo “independente” certamente abre oportunidades para eventos corporativos que podem agregar capital posteriormente. No geral, esta é uma notícia positiva para as ações do Bradesco sob diversas perspectivas”.
Fortalecimento de índices de capital do banco
O BTG Pactual considerou em relatório que a transação é positiva para o Bradesco, uma vez que não se trata apenas de uma soma das partes, mas de um impacto concreto na estrutura de capital.
“A operação deve fortalecer índices de capital do banco e criar termos de trocas mais atrativos, caso a nova empresa negocie a múltiplos superiores aos do banco”, afirmaram os analistas do BTG.
Segundo eles, há ainda um potencial de otimização de ativos fiscais diferidos no balanço, melhorando o patrimônio tangível, uma vez que o branço de saúde representa cerca de um terço das operações de seguros do Bradesco, enquanto os demais negócios permanecem no banco.
No relatório, o BTG destacou que a Bradsaúde terá um free float reduzido, o que pode limitar a liquidez em um primeiro momento, mas também abre espaço para ofertas subsequentes em janelas favoráveis.
“Estrategicamente, o movimento fortalece o posicionamento competitivo do Bradesco no mercado privado, com maior escala, integração e capacidade de financiamento frente aos pares”, ressaltou.
Negócio “transformacional”
Avaliado pelos analistas do Safra como um negócio “transformacional”, a nova empresa, em um cenário otimista, poderia chegar com um potencial de até 57%. Já em um cenário mais pessimista, o papel subiria 8% e, no ponto médio, 32%.
O Safra calculou que a fusão entre a Bradesco Saúde e a Odontoprev pode elevar o lucro por ação (LPA) da nova companhia em cerca de 13%.
No relatório, os analistas partem do lucro líquido consolidado da Bradesco Saúde, excluem a participação já detida na Odontoprev e, na sequência, adicionam 100% do resultado da empresa odontológica para simular o cenário pós-fusão.
Com isso, a estimativa é de um lucro líquido de aproximadamente R$ 3,7 bilhões para a NewCo em 2025.