Energia Elétrica

Brasil contrata 19 GW de usinas para segurança energética; consumidores apontam custos de R$ 40 bi

19 mar 2026, 4:19 - atualizado em 19 mar 2026, 4:08
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(Imagem: Pixabay/Silberfuchs)

O Brasil negociou em leilão nesta quarta-feira (18) 19 gigawatts (GW) em novos contratos para usinas de geração termelétrica e hidrelétrica, garantindo negócios para grandes empresas como Petrobras, Eneva, Axia e Copel, no que se tornou a maior contratação já realizada pelo setor de energia elétrica do país.

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Os custos decorrentes dos projetos licitados, que somarão cerca de R$ 40 bilhões ao ano nas contas de luz, foram criticados por entidades representativas dos consumidores de energia, mas minimizados pelo governo, que disse esperar mais “eficiência” operativa com base nas usinas contratadas.

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Ao todo, 100 empreendimentos novos e existentes movidos a gás natural, carvão e hidrelétricas saíram vencedores no certame, com investimentos totais estimados em R$ 64,5 bilhões.

A nova capacidade assegurada para o sistema brasileiro, equivalente a quase 10% do parque instalado atual, visa garantir a segurança do fornecimento de energia já a partir deste ano.

Com o crescimento das energias eólica e solar na matriz nos últimos anos, o país passou a demandar também mais usinas despacháveis, capazes de entrar em operação rapidamente sempre que houver oscilações ou queda na produção dessas fontes intermitentes.

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O leilão viabilizou a recontratação de uma série de termelétricas existentes, que já podiam atender o sistema elétrico sem contrato, na modalidade “merchant”, mas a custos mais altos para os consumidores.

Ganharam novos contratos várias usinas a gás da Âmbar Energia, da holding J&F, como Norte Fluminense, Santa Cruz, Araucária e Uruguaiana.

A Petrobras também recontratou suas usinas Nova Piratininga, Juiz de Fora, Seropédica, Termomacaé, Termobahia, Três Lagoas, Termoceará e Vale do Açu.

Já a Eneva conquistou contratos para empreendimentos a gás como Povoação e Linhares, além de viabilizar a expansão de seu complexo termelétrico no Porto de Sergipe.

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Ainda no mercado de gás, foram contratadas usinas flutuantes a gás da turca Karpowership e um projeto da New Fortress Energy.

A contratação também viabilizou novos contratos para usinas da Eneva e da Diamante Energia movidas a carvão mineral, uma das fontes de energia mais prejudiciais ao clima.

A inclusão do carvão no certame surpreendeu ambientalistas, que criticaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por não ter cumprido seus próprios apelos para que os países abandonassem os combustíveis fósseis quando liderou a cúpula global do clima no ano passado.

Já da fonte hidrelétrica, garantiram contratos para inclusão de novas máquinas em suas usinas as empresas Axia (ex-Eletrobras), Engie Brasil, Copel e a chinesa SPIC.

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Essa se tornou a maior contratação do setor de geração de energia do Brasil, tanto em volume quanto em investimentos.

O recorde contratado até então havia sido em 2009, quando o Brasil leiloou o projeto da hidrelétrica de Belo Monte, com 11 GW de potência. Já o único certame de capacidade realizado até então pelo país, em 2021, negociou 4,6  GW em contratos, assegurando R$ 5,98 bilhões em aportes.

Custos elevados

Embora comemorado pelo governo, o leilão foi visto como um “fracasso” em termos de competição pela Frente Nacional de Consumidores de Energia (FNCE), que estimou um aumento médio de pelo menos 10% nas tarifas em decorrência das contratações.

“O volume contratado de 19 GW, praticamente sem nenhuma competição, é absurdo e vai representar um custo muito pesado na conta de luz nos próximos anos. O Governo Federal promete baixar o custo da energia, mas na prática faz o contrário”, afirma o presidente da Frente, Luiz Eduardo Barata.

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A entidade observou ainda que, além da receita fixa estipulada no leilão, os consumidores ainda precisarão arcar com custos adicionais quando essas usinas forem acionadas, como os relacionados aos combustíveis.

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Gustavo Ataíde, disse em coletiva de imprensa que o leilão foi “exitoso” e permitirá uma economia aos consumidores, já que as termelétricas recontratadas passarão a ser acionadas sob novos critérios, mais “dinâmicos” e econômicos sob o ponto de vista da operação do sistema elétrico.

Já o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Prado, ressaltou que o leilão desta quarta-feira permitiu uma realocação dos custos de várias usinas que antes recaíam apenas aos consumidores regulados, atendidos pelas distribuidoras. Com a contratação sob a modalidade de capacidade, essas usinas passam a ser remuneradas via encargo pago por uma base maior de consumidores, destacou ele.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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