Empresas

Brasil pode terminar 2022 com só 10 IPOs, dizem estrategistas

04 jan 2022, 12:15 - atualizado em 04 jan 2022, 12:15
Estreia do Grupo GPS na B3, em 26 de abril de 2021
No Brasil, banqueiros de investimento esperam que os negócios desacelerem à medida que os juros sobem e o país passa por uma eleição presidencial (Imagem: Divulgação/ B3)

Empresas de mercados emergentes abriram capital em 2021 a uma velocidade recorde, logo antes de um ano que deve ser desafiador para os investidores de ações.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Embora o preço da maioria dessas ações emitidas recentemente tenha subido desde a estreia em bolsa, o índice MSCI Emerging Markets registrou seu pior ano desde 2018. Isso sugere que o apetite por ativos de risco esteja diminuindo, com variantes do coronavírus e taxas de juros mais altas turvando o cenário nos próximos meses.

Esses ventos contrários pareciam mais distantes quando uma maior necessidade por capital e a expectativa de retomada econômica global levaram 1.162 empresas de países emergentes a fazer ofertas públicas iniciais de ações em bolsas locais ou estrangeiras no ano passado.

Ao todo, as ofertas levantaram US$ 228 bilhões, um aumento de cerca de 31% em relação a 2020, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

“No ano passado, especialmente no primeiro semestre, vimos um ‘boom’ de IPOs relacionados a tech nos mercados emergentes”, disse Ignacio Arnau, gestor da Bestinver Asset Management, que gere cerca de US$ 8 bilhões. “Havia fatores tanto de fundamentos como de escassez guiando o apetite no mercado.”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No Brasil, banqueiros de investimento esperam que os negócios desacelerem à medida que os juros sobem e o país passa por uma eleição presidencial. Alguns dizem que o número de IPOs pode cair de cerca de 50 em 2021 para apenas 10 em 2022.

A onda de novas listagens pode ter saciado alguma demanda por parte do mercado, especialmente no setor de tecnologia, diz Arnau, que vê menos transações menores sendo bem-sucedidas neste ano, independentemente de sua qualidade.

“Há várias empresas de alta qualidade com conceitos provados, modelos de negócios lucrativos e ótimos históricos negociando a valuations muito baratos”, ele disse.

Em 2021, a China liderou os IPOs de emergentes, com 602 ofertas, seguida por Coréia do Sul, Índia, Indonésia e Brasil. Daquelas transações cuja fixação de preço foi monitorada pela Bloomberg, a maioria veio dentro da faixa indicativa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Desde que essas ações começaram a negociar, os preços subiram — em uma média ponderada por tamanho — em 30%, mostram os dados. Isso representa ganhos de 37% para empresas emergentes da Ásia e 27% para as do Oriente Médio e da África. Enquanto isso, as ações da América Latina e da Europa emergente caíram 14% e 13% desde a estreia, respectivamente.

A diversidade de performance pode estar relacionada às tendências de recuperação regional, bem como aos tipos de empresas que abriram o capital e tiveram desempenho superior no ano passado.

As ações asiáticas de consumo, industriais e de tecnologia recém-listadas estavam entre aquelas que subiram — em uma base de média ponderada — assim como muitas das empresas que abriram capital do Oriente Médio e da África nos setores de utilities e energia. Perdas no setor de comunicação atingiram a Europa emergente, enquanto os mercados latino-americanos foram impactados pelo risco político e as consequências contínuas da pandemia.

Em 2022, o escrutínio regulatório de Pequim e novas regras para ofertas de ações da China no exterior podem pesar sobre o ímpeto dos IPOs.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O regulador do mercado de capitais da Índia também endureceu as regras em um momento em que empresas baseadas em tecnologia de consumo — algumas delas ainda não lucrativas — acessam o mercado.

Mesmo assim, a segunda maior fabricante de baterias do mundo em Seul e uma seguradora indiana com mais de 1,2 milhão de agentes estão entre os negócios que podem vir a mercado neste ano.

Dubai também planeja listar uma série de empresas em uma tentativa de atrair investidores e ecoar o sucesso dos mercados de Abu Dhabi e Riyadh, que se beneficiaram de um boom de IPOs no ano passado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar