Economia

Brasil tem mais vantagens no choque do petróleo, diz Galípolo

26 mar 2026, 13:11 - atualizado em 26 mar 2026, 13:11
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Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (REUTERS/Adriano Machado)

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (26) que o Brasil entra no atual choque geopolítico entre Estados Unidos e Irã em uma posição relativamente mais confortável do que outros países.

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Segundo ele, a posição brasileira é uma combinação que reflete tanto o aperto monetário antecipado quanto o fato de o país ser exportador líquido de petróleo.

“Acho que a posição que o Brasil está hoje tem alguns benefícios, que decorrem de ser exportador líquido de petróleo e de estar com uma taxa de juros em um patamar bastante contracionista, e que permitiu nos colocar numa posição talvez um pouco melhor comparativamente se a gente não tivesse sido tão conservador ao longo de 2025 e início desse ano”, afirmou durante a coletiva de imprensa sobre o Relatório de Política Monetára (RPM), divulgado pelo BC.

Em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, que já pressiona preços de energia e amplia a volatilidade global, Galípolo destacou que a política de juros elevados adotada ao longo do ano passado criou uma espécie de “colchão” para absorver parte dos impactos.

Ainda assim, ponderou que o cenário exige cautela: o BC prefere ganhar tempo para entender a extensão e a duração do choque, especialmente diante dos impactos sobre inflação e atividade.

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“Choques de oferta tendem a pressionar preços e reduzir o crescimento, mas ainda não está claro em que magnitude isso vai ocorrer”, afirmou.

Incerteza externa e inflação no radar

O diretor de Política Econômica do BC, Paulo Picchetti, reforçou que o pano de fundo do cenário atual é a elevação da incerteza global. Segundo ele, esse ambiente já começa a contaminar as projeções, com expectativa de desaceleração da economia global e americana.

No caso da inflação, que vinha em trajetória gradual de convergência em economias avançadas e emergentes, o choque de energia surge como novo vetor de pressão. “Já há impacto nos preços, mas a grande dúvida é como isso vai evoluir ao longo do tempo”, disse.

Mesmo com sinais de arrefecimento no curto prazo, a inflação continua acima da meta. As expectativas para 2026 recuaram marginalmente, mas seguem desancoradas ao longo do horizonte de projeção.

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No cenário de referência do BC, a estimativa para o chamado horizonte relevante — atualmente o terceiro trimestre de 2027 — foi revisada de 3,2% para 3,3%. O avanço reflete, sobretudo, a alta do petróleo e revisões no hiato do produto, parcialmente compensadas pela valorização do real.

Segundo o diretor, o IPCA-15, também divulgado hoje, reforçou a leitura de desaceleração inflacionária no curto prazo, ainda que com ruídos. O índice subiu 0,44% em março, desacelerando frente aos 0,84% de fevereiro, mas acima do esperado pelo mercado.

Apesar da surpresa pontual, o resultado de 3,90% em 12 meses indica perda de fôlego dos preços, com destaque para a desaceleração dos núcleos de inflação.

Picchetti afirma que o dado corrobora a avaliação de que a política monetária segue fazendo efeito, embora a inflação ainda permaneça acima da meta e sob influência de incertezas externas, especialmente ligadas ao choque de energia.

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Relatório de Política Monetária

PIB

No cenário doméstico, o BC avalia que a desaceleração da atividade segue conforme o esperado, com maior intensidade nos componentes mais sensíveis à política monetária, como consumo das famílias e investimento.

O desempenho de 2025 corroborou esse diagnóstico, com um segundo semestre mais fraco, ainda que sem caracterizar recessão.

Para 2026, a projeção de crescimento foi mantida em 1,6%, embora com mudança relevante na composição, sendo que os segmentos cíclicos foram revisados para baixo. O setor agropecuário, por outro lado, segue como contraponto positivo.

Mercado de trabalho

Apesar da perda de tração da economia, o mercado de trabalho continua mostrando força. A taxa de desemprego segue em níveis historicamente baixos, o que, segundo o BC, exige atenção redobrada do Copom para distinguir fatores conjunturais de estruturais.

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Ao mesmo tempo, a produtividade permanece praticamente estagnada, crescendo em média apenas 0,6% ao ano — um ponto de preocupação para a dinâmica inflacionária, especialmente no setor de serviços.

Crédito

O canal de crédito já reflete o aperto monetário. O BC observa redução no ritmo de expansão, com fluxo financeiro negativo. As concessões ainda mostram alguma alta pontual, mas a tendência geral é de desaceleração.

A inadimplência avançou ao longo de 2025, embora parte desse movimento esteja associada a mudanças metodológicas. Para 2026, a projeção de crescimento do crédito foi revisada de 8,6% para 9%, ainda assim em trajetória mais moderada.

Fiscal e contas externas

No campo fiscal, há melhora na percepção dos agentes, embora a trajetória da dívida pública siga como ponto de atenção.

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Já nas contas externas, o déficit em transações correntes permanece relativamente estável, com melhora na balança comercial puxada pelas exportações.

Por outro lado, o déficit em serviços continua pressionado, refletindo gastos crescentes com tecnologia, comunicação e armazenamento de dados.

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Coordenadora de redação
Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como coordenadora de redação no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
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