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Braskem (BRKM5) despenca quase 15%: Impasse com credores gera dúvidas quanto a avanço de reestruturação

25 jun 2026, 12:25 - atualizado em 25 jun 2026, 12:25
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(Imagem: Divulgação/Braskem)

As ações da Braskem (BRKM5) aprofundavam as perdas nesta quinta-feira (25), chegando a cair 14,3% por volta das 12h, negociadas a R$ 6,54, após a petroquímica divulgar documentos que escancaram o impasse nas negociações com seus credores para uma reestruturação da dívida.

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Ontem, a companhia informou que iniciou um processo de mediação com credores financeiros e protocolou um pedido de tutela de urgência cautelar na Justiça de São Paulo para preservar as negociações sobre sua estrutura de capital.

Segundo a empresa, as medidas têm escopo exclusivamente financeiro e não afetam fornecedores, clientes ou demais obrigações operacionais.

Nesta quinta, porém, a Braskem deu um passo além e tornou públicos os materiais trocados com um grupo de detentores de bonds e debêntures durante as negociações. Os documentos mostram que as partes seguem distantes de um acordo, o que aumentou a percepção de risco entre os investidores.

Segundo um analista que acompanha a companhia, a divulgação reduziu a expectativa de um acordo rápido. Então, investidores passaram a enxergar um risco maior de que as negociações se prolonguem ou que a Braskem tenha de aceitar condições mais duras para reestruturar sua dívida, cenário que tende a pressionar os resultados e, decorrentemente, o valor das ações.

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Em processos de reestruturação, quanto maior o poder de barganha dos credores, maior a preocupação dos acionistas. Isso porque eventuais concessões exigidas pelos detentores da dívida — como juros mais elevados, garantias adicionais, aportes dos controladores ou até uma futura conversão de dívida em ações — podem reduzir o valor econômico destinado aos atuais acionistas. Embora nenhuma dessas medidas tenha sido acordada até o momento, a troca de documentos evidencia que as partes ainda estão distantes de um consenso.

Segundo o fato relevante divulgado nesta quinta, a Braskem compartilhou com investidores um conjunto de informações não públicas no contexto da reestruturação, incluindo sua proposta, a contraproposta apresentada pelos credores e a resposta da companhia.

A empresa afirma que, durante uma reunião realizada em 11 de junho, apresentou sua proposta de reestruturação, mas recebeu seis dias úteis depois uma resposta considerada "inaceitável". Até o momento, segundo a companhia, nenhum acordo foi alcançado.

A proposta da Braskem previa uma recuperação extrajudicial voltada exclusivamente aos credores financeiros. Entre os principais pontos estavam a prorrogação em cinco anos dos vencimentos das dívidas, redução de dois pontos percentuais nos juros dos títulos, possibilidade de capitalizar integralmente os juros entre julho de 2026 e dezembro de 2028 (PIK), manutenção das dívidas sem garantias reais e sem corte no valor principal dos créditos. A empresa também propôs manter linhas de capital de giro e evitar uma captação imediata de dinheiro novo.

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Os documentos mostram, porém, que o grupo de bondholders rejeitou a proposta. Na resposta enviada à companhia, os credores classificam o plano como "totalmente insatisfatório" e afirmam que uma redução dos cupons de juros é algo "inaudito" em reestruturações corporativas.

Eles também defendem que qualquer concessão feita pelos credores deve ser compensada por maior remuneração, e não por juros menores, além de cobrar uma participação mais ativa dos acionistas — incluindo a Petrobras — nas negociações.

Em resposta, a Braskem afirmou que a contraproposta não é aceitável nem atende aos interesses da companhia e de seus stakeholders, mas reiterou que continuará buscando uma solução consensual, estruturada e ordenada para sua estrutura de capital.

A deterioração das negociações ocorre após semanas de preocupação do mercado com o elevado volume de vencimentos da companhia. Nas apresentações divulgadas aos credores, a Braskem estima aproximadamente US$ 3,7 bilhões em serviço da dívida entre julho de 2026 e dezembro de 2027, com concentração de pagamentos nos próximos trimestres, o que reforça a necessidade de uma reestruturação para aliviar o perfil de vencimentos.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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