Braskem (BRKM5) pode recorrer à justiça para proteção contra credores e não descarta falência, diz agência
A Braskem (BRKM5) avalia recorrer à Justiça brasileira para buscar proteção contra credores, como uma recuperação jucial, em meio à deterioração recente de sua situação financeira, segundo informações da Bloomberg.
De acordo com a agência, a companhia considera a adoção de uma medida cautelar, mecanismo que oferece proteção temporária contra cobranças, e não descarta, em último caso, um processo de falência. As discussões ainda estão em estágio preliminar e nenhuma decisão final foi tomada, podendo haver mudanças no plano.
Além disso, o cenário é agravado pela indefinição envolvendo a possível entrada do fundo IG4 Capital no controle da companhia. A operação ainda depende de aprovação de autoridades antitruste europeias e, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, dificilmente será concluída antes de maio.
Braskem enfrenta dificuldades
O desempenho operacional da Braskem tem sido impactado por um cenário global desfavorável ao setor petroquímico, marcado por margens mais apertadas e menor demanda em mercados estratégicos.
Além disso, a situação é agravada por questões internas, como os desdobramentos do desastre ambiental em Maceió, relacionado à exploração de sal-gema, que continuam gerando custos e incertezas jurídicas.
No resultado do quarto trimestre de 2025, a empresa registrou prejuízo de R$ 10,3 bilhões, mais que o dobro do observado no ano anterior, pressionando sua capacidade de honrar compromissos financeiros e elevando a necessidade de preservar liquidez.
O balanço foi aprovado sem ressalvas pela auditoria da KPMG, embora os auditores tenham registrado “incerteza relevante relacionada à continuidade operacional da companhia”.
Eles destacaram que a controladora apresentou prejuízo de R$ 9,880 bilhões e o consolidado, R$ 10,961 bilhões, com passivo circulante superior ao ativo em R$ 3,090 bilhões na controladora e R$ 9,770 bilhões no consolidado, e patrimônio líquido negativo de R$ 16,147 milhões e R$ 16,502 milhões, respectivamente.
Segundo a empresa, o desempenho do trimestre foi impactado pelas incertezas externas, incluindo conflitos geopolíticos e guerra tarifária, que, combinadas à sazonalidade, pressionaram os spreads químicos e petroquímicos no mercado internacional.