Brava Energia (BRAV3): Aquisição de ativos surpreende e ações caem, mas analistas veem movimento como positivo
As ações da Brava Energia (BRAV3) até começaram o dia no positivo, mas inverteram o sinal e operam entre os destaques negativos do Ibovespa (IBOV) no pregão desta sexta-feira (16).
Mais cedo, a companhia anunciou a aquisição da participação de 50% da Petronas no campo de Tartaruga Verde (Concessão BM-C-36) e no Módulo III do campo de Espadarte, localizados na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, por US$ 450 milhões.
Na visão da XP Investimentos, o movimento é inesperado, mas positivo, uma vez que o mercado estava de olho em possíveis desinvestimentos, o que torna uma aquisição surpreendente neste momento
“No entanto, acreditamos que o negócio se enquadra no balanço da Brava, considerando a redução no valor do negócio esperada a partir de ajustes de preço e da estrutura de pagamento”, pondera o analista Regis Cardoso.
Além disso, do ponto de vista da relação dívida líquida/Ebitida, o negócio provavelmente reduzirá a alavancagem, na visão da XP.
Por volta de 11h50 (horário de Brasília), as ações BRAV3 tinham queda de 2,78%, a R$ 17,51. Acompanhe o tempo real.
O anúncio ocorre alguns dias após a companhia anunciar troca no comando. Décio Oddone renunciou ao cargo de diretor presidente (CEO) da companhia, seguindo o processo de sucessão planejado.
O conselho de administração da petrolífera elegeu Richard Kovacs para o cargo, com a posse marcada para o dia 1 de fevereiro de 2026.
Detalhes da transação
O pagamento de US$ 50 milhões ocorrerá na data de assinatura do acordo, já o pagamento de US$ 350 milhões será realizado no fechamento da transação, sendo o valor sujeito a ajustes atrelados a data efetiva da transação, de 1 de julho de 2025.
Por fim, os pagamentos de duas parcelas, no valor de US$ 25 milhões cada, ocorrerão em 12 e 24 meses após o fechamento, respectivamente.
A conclusão da transação está sujeita ao cumprimento de condições precedentes usuais, incluindo as aprovações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), além da a manifestação quanto ao exercício do direito de preferência pelo atual operador.
Os ativos são atualmente operados pela Petrobras, que detém 50% de participação, por meio do FPSO Cidade de Campos dos Goytacazes, em operação desde 2018.
Caso todas as condições sejam atendidas, a expectativa da Brava Energia é de que o fechamento da transação ocorra ainda em 2026.
Brava Energia ousou?
O Bradesco BBI afirmou que foi surpreendido pelo anúncio da Brava. Os analistas viam a empresa mais orientada para a venda de ativos do que para a compra. Apesar disso, a casa gostou da aquisição e destacam méritos positivos.
O primeiro mérito é um valuation justo, que mostra que a empresa não aumentará seu nível de alavancagem em mais de 0,4 vez com os preços do petróleo a US$ 60 por barril (após a conclusão do negócio).
Além disso, a Brava deve reduzir sua alavancagem rapidamente com um ativo que deve gerar entre US$ 150 e US$ 200 milhões em caixa por ano (a um preço do Brent de US$ 60) contra US$ 50 milhões pagos na assinatura do contrato, além de quase US$ 200 milhões em julho de 2026 e US$ 50 milhões em parcelas futuras diferidas.
Na avaliação do BBI, a aquisição está alinhada com a estratégia da empresa de reduzir seu endividamento mais rapidamente.
“A oferta parece refletir o DNA de uma nova e ousada gestão que não está limitada pelo balanço da empresa. Com base na atual perspectiva negativa para os preços do petróleo, acreditamos que o mercado está entrando em uma fase favorável aos compradores, com algumas boas oportunidades”, ponderam os analistas Vicente Falanga e Ricardo França.
Os analistas recordam que a desalavancagem está entre os principais objetivos da Brava Energia, e pontuam que boas aquisições feitas no momento certo geralmente ajudam a acelerar o processo de desalavancagem por meio do crescimento do fluxo de caixa.
A aquisição também deve ajudar a Brava a diversificar sua base de ativos, imprimindo o DNA da empresa como alocadora de ativos no setor de petróleo e gás.
O BBI vê com bons olhos a cautela da administração para acelerar sua proteção cambial para 2026, tendo cerca de 75% de sua produção do primeiro semestre de 2026 protegida a cerca de US$ 63/barril. Isso deve diminuir as preocupações de que a empresa terá problemas de balanço para pagar por essa aquisição caso os preços do petróleo caíram ainda mais.
Para o BBI, os riscos relacionados à aquisição incluem:
- Uma queda acentuada e estrutural (que ultrapasse o prazo da proteção cambial) nos preços do petróleo; e
- Desempenho operacional. Apesar disso, os analistas destacam a Petrobras como é uma operadora de alta qualidade de ativos offshore (no mar) no Brasil.
“Por fim, acreditamos que o mercado naturalmente questionará por que a Prio não apresentou uma proposta para o ativo. Embora não possamos falar em nome da empresa, acreditamos que a Prio se envolve principalmente com ativos nos quais pode se tornar operadora rapidamente, o que pode não ter sido o caso desta vez”, avaliam os analistas.