BTG inicia cobertura para Tyson Foods e Pilgrim’s Pride; veja recomendação para os frigoríficos
O BTG Pactual iniciou a cobertura de duas das maiores empresas globais de proteína animal: Tyson Foods e Pilgrim’s Pride. O banco destacou que as companhias seguem estratégias diferentes para gerar valor em um setor altamente cíclico, mas enfrentam um cenário desafiador no curto prazo.
A recomendação do banco é de venda (sell) para a Tyson, com preço-alvo de US$ 58 por ação até o fim de 2026, o que implica um potencial de queda de cerca de 5%. Já para a Pilgrim’s, a recomendação é neutra, com preço-alvo de US$ 40, indicando potencial de alta de aproximadamente 10,5%.
Segundo os analistas, o pano de fundo do setor de proteínas nos Estados Unidos aponta para pressões simultâneas em dois ciclos importantes: bovinos e frango.
No caso da carne bovina, o rebanho dos EUA está no menor nível em cerca de 70 anos, o que reduz a disponibilidade de animais para abate e pressiona a rentabilidade das processadoras de carne. A normalização desse ciclo deve ocorrer apenas de forma gradual, com melhora mais clara apenas perto de 2028.
Já no frango, o movimento é o oposto. Após um período prolongado de margens elevadas — impulsionadas pela recuperação lenta da oferta e por custos menores de grãos — a produtividade está aumentando e a produção começa a acelerar. Esse processo tende a comprimir rapidamente as margens do setor, segundo o relatório.
Para o banco, a Tyson Foods costuma ser vista pelo mercado como uma forma mais defensiva de investir em proteínas, principalmente por conta do segmento de alimentos preparados e de seu portfólio diversificado de proteínas.
Os analistas reconhecem que o negócio de produtos processados pode trazer margens mais altas e menor volatilidade, mas ponderam que o mercado pode estar superestimando esse efeito, já que o desempenho do segmento continua fortemente ligado aos custos de commodities.
Com o ciclo do frango virando para baixo e a oferta de gado ainda apertada, o banco avalia que a ação negocia com múltiplos elevados para um momento de deterioração dos fundamentos, o que limita o potencial de valorização.
Já a Pilgrim’s Pride, controlada pela brasileira JBS, opera com um modelo mais concentrado em frango e focado em execução operacional. A empresa aposta em segmentação de portfólio, produtos preparados e diversificação geográfica para reduzir volatilidade.
O relatório destaca que a companhia vem melhorando a rentabilidade de suas operações na Europa e criando nichos mais resilientes dentro do portfólio. Ainda assim, o negócio segue bastante exposto ao mercado norte-americano de frango, que continua sendo o principal motor de lucros.
Na avaliação do BTG, o valuation da Pilgrim’s parece mais equilibrado, com múltiplos próximos da média histórica, o que torna a relação entre risco e retorno mais balanceada.
Os analistas lembram ainda que ações do setor de proteína costumam ser pró-cíclicas, o que significa que tendem a performar melhor quando as margens estão em expansão — e não quando o ciclo começa a se deteriorar, como pode ocorrer no curto prazo.
Nesse contexto, o banco avalia que o espaço para uma reprecificação positiva das ações do setor é limitado neste momento.