Caixa não está discutindo ações de socorro ao BRB, diz Ceron
Não há ação concreta em discussão na Caixa Econômica Federal que envolva aquisição de carteiras de crédito ou de participação no Banco de Brasília (BRB), disse nesta quarta-feira o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, que é presidente do conselho de administração da Caixa.
Em entrevista à imprensa, Ceron afirmou que o BRB não tem hoje condições de tomar crédito com garantia da União, acrescentando que o Distrito Federal, controlador do banco, tem questões fiscais delicadas que colocam desafio relevante para obtenção de crédito sem aval do governo.
De acordo com o secretário, a Caixa analisa o tema do BRB com olhar de mercado e governança robusta, assim como qualquer outra instituição financeira, avaliando eventuais sinergias e oportunidades.
Ele enfatizou que essa avaliação é feita de forma objetiva, sem que seja cogitado usar a Caixa como ferramenta de política pública, rejeitando também qualquer ação que pese negativamente sobre o balanço do banco.
“Se o BRB precisar ter algum tipo de apoio, não é exatamente por meio de uma instituição financeira que isso tem que acontecer. Isso tem que ser uma construção mais ampla com o que tem de disponível, seja o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) ou outras alternativas que possam vir a ser cogitadas”, afirmou.
A Polícia Federal abriu um inquérito criminal neste mês para apurar gestão fraudulenta no BRB, em um desdobramento das apurações que envolvem o Banco Master. O Banco Central rejeitou, em setembro do ano passado, a compra do Master pelo BRB após concluir análise acerca da capacidade financeira da instituição.
Também neste mês, o BRB apresentou ao BC uma série de medidas que a instituição implementará para recompor seu capital, caso se mostre necessário. As perdas do Banco de Brasília em operações feitas com o Master podem chegar a R$5 bilhões, segundo estimativa do BC.