Greve

Caminhoneiros confirmam greve por alta do diesel e pressão sobre fretes; paralisação pode começar nesta quinta

17 mar 2026, 17:30 - atualizado em 17 mar 2026, 18:24
Caminhoneiros
(Imagem: REUTERS/Ueslei Marcelino)

A escalada do diesel e o descompasso com os valores de frete levaram caminhoneiros a avançar com a articulação de uma greve nacional, que pode começar ainda nesta semana. A mobilização ganhou força após assembleias recentes e já conta com adesão de lideranças em diferentes regiões do Brasil.

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Ao Money Times, o presidente da ANTB (Associação Nacional de Transporte no Brasil), José Roberto Stringasci, disse que previsão é de que a greve comece já nesta quinta-feira (19). “Estamos aguardando a confirmação de outros estados. Já temos a confirmação de Santa Catarina, São Paulo e Bahia”.

O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o Chorão, afirmou que a paralisação pode ocorrer até o fim de semana. “Pode acontecer até o fim de semana”, disse, ao Broadcast.

Segundo ele, a entidade intensificou a articulação com representantes estaduais para alinhar uma data única de início do movimento.

A decisão ocorre após assembleia realizada na segunda-feira (16), no Porto de Santos (SP), que deliberou pela paralisação e reuniu lideranças nacionais. A estratégia inicial, segundo a Abrava, é promover uma paralisação voluntária, com caminhoneiros deixando de aceitar cargas. “A ideia é conscientizar o transportador rodoviário para que fique em casa, não carregue”, afirmou Chorão.

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O pano de fundo da greve é a forte alta do diesel nas últimas semanas, impulsionada pela valorização do petróleo no mercado internacional em meio ao conflito no Oriente Médio. Dados do setor mostram que o preço do diesel S-10 subiu mais de 7% no início de março e seguiu avançando, com média nacional próxima de R$ 6,90 por litro, segundo a ANP.

Na prática, o aumento já afeta a operação. Relatos de transportadores indicam redução da atividade e até recusa de cargas. O caminhoneiro Wanderlei Alves, o Dedeco, liderança da greve de 2018, afirmou que, em uma rota entre Paraná e Minas Gerais, o custo com diesel subiu R$ 890 em apenas uma semana, sem reajuste no frete. “Não vale a pena rodar no prejuízo. Já caiu muito movimento de caminhão na estrada”, disse.

Ele afirmou ter recusado 15 cargas apenas nesta semana e relatou alta volatilidade nos preços do combustível. “De manhã um preço, de tarde outro, de noite outro”, disse. Segundo ele, a tendência é de paralisação descentralizada, com motoristas optando por parar individualmente. “Vai acabar parando o caminhão na empresa, porque não vale a pena.”

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), uma das principais entidades que representam caminhoneiros no país, anunciou que apoia a mobilização da categoria para uma paralisação nacional nos próximos dias.

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“A mobilização é motivada pelos aumentos quase diários nos postos de combustíveis, o que levou os caminhoneiros a se organizarem”, disse a CNTTL em comunicado à imprensa.

A entidade citou como pautas prioritárias o fim da emissão de fretes abaixo do piso mínimo; o retorno da aposentadoria especial com 25 anos de contribuição ao INSS; a retomada da distribuição de combustíveis pela Petrobras; e a aplicação de multas, com possível cancelamento de registro para empresas que descumprirem o piso mínimo do frete.

Custos x receitas

O descompasso entre custos e receitas também é apontado por entidades do setor. A Associação Nacional de Transporte de Cargas e Logística (ANTC) estima que o reajuste de 11,6% promovido pela Petrobras nas refinarias deve resultar em alta de 10% a 12% no frete. Ainda assim, transportadores afirmam que os repasses não ocorrem com a mesma velocidade, levando à suspensão de operações.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou na sexta-feira (13) a tabela de pisos mínimos de frete, com reajustes de até 7%, após o diesel acionar o gatilho previsto na Lei nº 13.703/2018. Para lideranças da categoria, no entanto, a medida tem efeito limitado sem fiscalização efetiva. “Saiu o gatilho, mas não tem fiscalização”, afirmou Chorão.

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Além da recomposição dos fretes, os caminhoneiros mantêm outras reivindicações, como a isenção de pedágio para veículos vazios e a implementação de mecanismos que garantam o cumprimento do custo mínimo operacional. Segundo a Abrava, essas medidas são consideradas essenciais diante da deterioração das margens.

Apesar de interlocução com o governo federal — incluindo contato recente da Casa Civil —, a categoria avalia que ainda não houve avanço concreto. “A gente precisa sair do diálogo e ir para a efetivação”, disse Chorão.

Com isso, cresce o risco de uma paralisação nacional em um momento sensível para a logística, em meio ao escoamento da safra agrícola. A depender da adesão, o movimento pode reduzir a oferta de transporte, pressionar ainda mais os fretes e gerar impactos em cadeias produtivas em todo o país.

*Com informações do Broadcast

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