Economia

Campos Neto no Roda Viva: “Não existe credibilidade, simplesmente se aumentar meta de inflação”

13 fev 2023, 23:54 - atualizado em 14 fev 2023, 6:47
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Campos Neto no Roda Viva: “Quem define a meta é o governo. O Banco Central segue a meta definida” (Imagem: Divulgação/ TV Cultura)

Insistir em aumentar a meta de inflação para acomodar uma queda de juros será um grande tiro no pé do governo, segundo o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Em sua participação no programa Roda Viva da TV Cultura, nesta segunda-feira (13), Campos Neto afirmou que a medida não traria nenhum benefício à política econômica do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e à política monetária do BC.

“Não existe ganho de credibilidade, simplesmente, se aumentar a meta”, afirmou. “No final das contas, você terá uma expectativa de inflação que caminhará para a meta nova, como vai ganhar um prêmio de risco maior ainda. Então, em vez de ganhar flexibilidade [para cortar os juros], você vai perder.”

No fundo, o principal argumento de Campos Neto, no Roda Viva de hoje, gira em torno de uma velha conhecida do mercado: a ancoragem de expectativas.

Para ele, se o mercado perceber que o governo obrigará o Banco Central a ser mais tolerante com a inflação, em troca de um corte na taxa básica de juros, a famosa Selic, hoje em 13,75% ao ano, cobrará, como contrapartida, um prêmio de risco maior – isto é, emprestará dinheiro por um “preço mais caro” para o governo e outros tomadores.

Campos Neto no Roda Viva: “Aprimoramento de metas, e não apenas aumentar”

Campos Neto negou, ainda, que tenha sinalizado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que é possível elevar a meta de inflação para a casa dos 3,5%. Segundo o economista, a única mensagem transmitida a Lula foi a de que “vender qualquer tipo de aprimoramento é falar de um aprimoramento total [do sistema de metas].”

O banqueiro preferiu não detalhar quais aprimoramentos poderiam ser adotados, mas observou que o BC tem diversos estudos para “melhorar a eficiência do cumprimento do sistema de metas”.

Assista à resposta de Campos Neto sobre a meta de inflação

Campos Neto não respondeu diretamente sobre como se comportará na próxima reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), prevista para a próxima quinta (16), caso a revisão da meta de inflação seja pautada.

“Quem define a meta é o governo. O Banco Central segue a meta definida. Tem um voto de três”, afirmou, referindo-se à composição do colegiado, que conta ainda com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet.

Campos Neto no Roda Viva: “Meta de inflação é exequível”

O presidente do BC também refutou o argumento de que é preciso elevar a meta de inflação, porque ela é impossível de ser cumprida no cenário atual.

Para ele, elevar a meta, num momento em que a autoridade monetária tem dificuldade em cumpri-la e o mercado se preocupa com o risco fiscal, passa um mau sinal, porque vai desancorar ainda mais as expectativas.

Ele observa, contudo, que é possível imaginar situações em que os juros caiam. “Se a gente voltar a dezembro, nosso cenário básico era o cumprimento da meta [de 2023] com uma curva de juros que já incorporava corte a partir de junho”, acrescentou. “O nosso cenário de dezembro dizia que a meta era exequível”.

Para Campo Neto, à medida que a agenda de reformas do governo avançar e que os agentes econômicos percebam esse progresso, haverá “espaço para que a gente, em algum momento, tenha uma situação igual à de dezembro ou até melhor”.

Aos jornalistas do Roda Viva desta segunda, ele afirmou que o “Banco Central quer fazer o melhor possível, ter os juros mais baixos possível e o crescimento mais sustentável possível, mas a gente entende que é muito importante preservar esse ganho de ter a inflação sob controle.”

 

Diretor de Redação do Money Times
Ingressou no Money Times em 2019, tendo atuado como repórter e editor. Formado em Jornalismo pela ECA/USP em 2000, é mestre em Ciência Política pela FLCH/USP e possui MBA em Derivativos e Informações Econômicas pela FIA/BM&F Bovespa. Iniciou na grande imprensa em 2000, como repórter no InvestNews da Gazeta Mercantil. Desde então, escreveu sobre economia, política, negócios e finanças para a Agência Estado, Exame.com, IstoÉ Dinheiro e O Financista, entre outros.
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