Candidaturas jovens sofrem restrição financeira em partidos e renovação política é prejudicada, aponta Legisla Brasil
A reduzida presença de jovens nos espaços de decisão política afeta a representatividade social e traz impactos para a eficiência econômica e para a governança. Dados levantados pela Legisla Brasil apontam que, embora 20% do eleitorado tenha menos de 30 anos, candidaturas nessa faixa etária enfrentam afunilamento financeiro dentro dos partidos.
Segundo o levantamento da organização suprapartidária e sem fins lucrativos, a distribuição dos fundos públicos de campanha restringe a formação de novas lideranças e desacelera discussões voltadas à inovação e às novas dinâmicas do mercado de trabalho.
A pesquisa “Juventudes e Participação Partidária” aponta que o principal obstáculo enfrentado pelas novas lideranças é a alocação de recursos. Nas eleições municipais de 2024, candidatos de 18 a 29 anos tiveram acesso a uma média equivalente a 64% dos verbas repassadas aos das faixas etárias superiores.
A diferença na distribuição orçamentária reflete-se no índice de eleitos. Enquanto 7,1% dos candidatos entre 18 e 20 anos conseguiram se eleger, o percentual subiu para 16% na faixa de 35 a 44 anos, indicando, segundo o Legisla Brasil, a disparidade e a correlação entre o volume de investimento de campanha e a competitividade nas urnas.
Previsibilidade de retorno e a lógica das legendas
O diretor-executivo da Legisla Brasil, Fernando Haddad Moura, analisa que a baixa representatividade decorre das condições de financiamento e da busca das siglas por retorno eleitoral imediato:
“O investimento em candidaturas de pessoas que tentam a reeleição costuma ter um retorno maior no número de eleitos do que o investimento em novas lideranças. Isso gera um ciclo em que os partidos priorizam candidatos experientes em detrimento dos jovens, dificultando a renovação”, afirmou Fernando Haddad Moura ao Correio Braziliense.
O especialista pontua que essa estrutura impõe barreiras adicionais a quem tenta ingressar na vida pública. “Isso nos faz levantar a hipótese de que o que falta aos jovens é, principalmente, oportunidade e investimento para conseguir realizar seu trabalho e colocá-lo à prova da avaliação dos eleitores”, completou Moura.
*Sob orientação de Gustavo Porto