Saúde

Efeito rebote de ‘canetas emagrecedoras’ é mais rápido que o de dietas convencionais, mas pode ser evitado; veja como

30 jan 2026, 15:34 - atualizado em 30 jan 2026, 15:34
Canetas emagrecedoras/Freepik
(Imagem: Getty Images/Canva)

As chamadas “canetas emagrecedoras”, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, mudaram o tratamento da obesidade. Criadas inicialmente para o controle do diabetes tipo 2, em pouco tempo passaram a ser usadas por milhões de pessoas com o objetivo de perder peso rapidamente.

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Um novo estudo, porém, mostra o que acontece quando esses medicamentos são suspensos — e o resultado não é animador.

De acordo com uma pesquisa publicada na revista The British Medical Journal (BMJ), o peso costuma retornar, e em um ritmo mais rápido do que se imagina.

O que o estudo revela sobre as canetas emagrecedoras

Segundo o levantamento, pessoas que interrompem o uso desses medicamentos voltam a ganhar, em média, 400 gramas por mês após o fim do tratamento.

Mantida essa velocidade, a estimativa é que o paciente retorne ao peso anterior ao tratamento em pouco mais de um ano e meio. Além disso, os benefícios cardiometabólicos obtidos com o uso dos remédios — como melhora da pressão arterial, do colesterol e do controle glicêmico — também se perdem, retornando aos níveis prévios em cerca de 1,4 ano.

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“Essas evidências indicam que, apesar do sucesso na perda de peso inicial, esses medicamentos, isoladamente, podem não ser suficientes para o controle do peso no longo prazo”, afirmam os autores em comunicado divulgado pelo BMJ.

A análise reuniu 37 estudos publicados até fevereiro de 2025, com dados de 9.341 participantes, que receberam tratamento por uma média de 39 semanas e foram acompanhados por cerca de 32 semanas após a interrupção.

Recuperação do peso tende a ser mais rápida do que em dietas

Um dos principais achados foi a comparação entre pessoas que emagreceram com medicamentos e aquelas que perderam peso apenas com dieta e atividade física.

Segundo os pesquisadores, o reganho de peso após a suspensão dos remédios ocorreu em um ritmo quase quatro vezes mais rápido do que o observado em programas comportamentais. Mesmo quando a perda inicial foi semelhante, o peso voltou mais rapidamente no grupo que interrompeu a medicação.

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Esse padrão foi observado independentemente da quantidade de peso eliminada durante o tratamento.

Por que isso acontece?

Com a interrupção do medicamento, especialmente após perdas expressivas de peso, o organismo reduz o gasto energético e altera os mecanismos que regulam fome e saciedade, favorecendo o ganho de peso.

Trata-se de um processo biológico ligado à própria natureza da obesidade, considerada uma doença crônica.

Assim como ocorre em condições como hipertensão e diabetes, a obesidade exige acompanhamento contínuo. A suspensão abrupta do tratamento pode provocar o retorno dos sintomas — neste caso, o aumento do apetite e do peso corporal.

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O alerta além da balança

Para os autores, o ponto mais preocupante não é apenas o reganho de peso, mas a reversão das melhorias metabólicas. A piora do controle da pressão arterial, do colesterol e da diabetes após a interrupção é vista como um sinal clínico relevante, indicando que o paciente permanece metabolicamente doente.

Por isso, especialistas defendem o acompanhamento com um endocrinologista para planejar o período pós-uso das canetas emagrecedoras, seja por meio de manutenção com outro medicamento, ajuste de dose ou uma estratégia contínua de tratamento.

Em um editorial relacionado ao estudo, a pesquisadora Qi Sun destaca que esses remédios não devem ser encarados como uma solução definitiva para a obesidade e ressalta a importância de hábitos saudáveis e mudanças no estilo de vida.

“Essas práticas não apenas ajudam a prevenir o ganho excessivo de peso, como também trazem diversos benefícios à saúde que vão além do controle do peso”, afirma.

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O que dizem as fabricantes

Em nota, a Novo Nordisk, fabricante do Wegovy, informou que algum nível de reganho de peso é esperado após a interrupção do tratamento.

Segundo dados do estudo STEP 1, publicado em 2022, pacientes que suspenderam a medicação recuperaram cerca de dois terços do peso perdido em 52 semanas.

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Repórter
Jornalista com pós-graduação em Literatura, Artes e Filosofia. Atua como repórter nos portais de notícias Money Times e Seu Dinheiro, onde também já trabalhou como Analista de SEO.
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