Capital político de Bolsonaro e mau momento político do governo Lula favoreceram Flávio em pesquisa
A queda na diferença entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidatos ao Planalto, para o menor nível no primeiro turno é o reflexo da aproximação do senador ao capital político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e também do mau momento político do atual governo. A avaliação é de cientistas políticos ouvidos pelo Money Times.
Pesquisa Atlas/Bloomberg para a eleição presidencial 2026 divulgada nesta quarta-feira (25) mostra que, nos quatro cenários de primeiro turno em que Lula e Flávio são incluídos como adversários, o atual presidente tem entre 45% e 47,1% dos votos, e o senador varia de 33% a 40%. Em um eventual segundo turno, Lula e Flávio aparecem empatados tecnicamente.
“Flávio se aproxima do capital político do seu pai a partir da indicação de que ele seria o representante de Jair Bolsonaro na disputa. Então, aquele eleitorado que desaprova o governo encontra quem efetivamente possa participar da eleição”, disse Rafael Cortez, cientista político e sócio da Tendências Consultoria.
Para Cortez, o segundo fator favorável ao senador, junto com as quedas na aprovação do governo e do próprio presidente, é uma conjuntura ruim, que inclui vários fatores, principalmente o debate com os conservadores. Esse ponto ganhou força durante o Carnaval, quando Lula foi homenageado pela escola de samba Acadêmicos de Niterói, no Rio, que ironizou as famílias conservadoras em uma de suas alas.
Outros pontos pró-Flávio Bolsonaro são as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Dias Toffoli, pelo seu envolvimento no caso do Banco Master. Segundo Cortez, a opinião pública tem a leitura de que Lula defende o STF, enquanto as críticas ao Supremo ficam para a oposição.
“Lula tem uma competitividade eleitoral muito mais fruto dos dilemas da oposição do que propriamente de uma percepção de que ele merece ter um novo mandato, seja porque a desaprovação é maior do que a aprovação de governo, seja por uma ideia de continuidade”, completou.
Efeito Bolsonaro
Para Graziella Testa, professora do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a influência do ex-presidente Bolsonaro no processo político é “totalmente inegável” e o apoio dele para qualquer candidato que não seja da esquerda é decisivo.
Segundo ela, o fato de as pesquisas terem nomes e sobrenomes já com “referências” diminui a chance, ao menos neste momento, de um cenário alternativo, e ajuda a explicar o pequeno porcentual de indecisos, no máximo de 1%.
Mas, de acordo com Graziella, o atual momento, a oito meses do primeiro turno, é muito distante para entender esse cenário como consolidado. “A gente gosta de pesquisa porque não gosta de imprevisibilidade, mas ainda é muito pouco informativa para as pessoas”, afirmou.
Ainda de acordo com a cientista política e professora da UFPR, se surgir algum nome relevante no campo da direita, algum outsider que ganhe corpo — como foi Pablo Marçal, nas eleições municipais paulistanas, em 2024 –, existe a possibilidade de Flávio Bolsonaro perder votos.
“Portanto, quem tem que ficar mais preocupado com outros nomes é o Flávio”, afirmou ela.
Já Cortez, da Tendências, avalia o resultado da pesquisa como “muito natural” e sinalizador para uma disputa muito parecida com a de 2022. Com isso, o cenário aponta para o crescimento de Flávio Bolsonaro, a polarização política e o espaço pequeno para entrada de candidatos de uma terceira via, em particular dos governadores e pré-candidatos do PSD, na avaliação do cientista político.