Eleições 2026

Capital político de Bolsonaro e mau momento político do governo Lula favoreceram Flávio em pesquisa

25 fev 2026, 13:22 - atualizado em 25 fev 2026, 13:40
Flavio Bolsonaro Jair Bolsonaro
(Imagem: Reuters/Adriano Machado)

A queda na diferença entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidatos ao Planalto, para o menor nível no primeiro turno é o reflexo da aproximação do senador ao capital político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e também do mau momento político do atual governo. A avaliação é de cientistas políticos ouvidos pelo Money Times.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Pesquisa Atlas/Bloomberg para a eleição presidencial 2026 divulgada nesta quarta-feira (25) mostra que, nos quatro cenários de primeiro turno em que Lula e Flávio são incluídos como adversários, o atual presidente tem entre 45% e 47,1% dos votos, e o senador varia de 33% a 40%. Em um eventual segundo turno, Lula e Flávio aparecem empatados tecnicamente.

“Flávio se aproxima do capital político do seu pai a partir da indicação de que ele seria o representante de Jair Bolsonaro na disputa. Então, aquele eleitorado que desaprova o governo encontra quem efetivamente possa participar da eleição”, disse Rafael Cortez, cientista político e sócio da Tendências Consultoria.

Para Cortez, o segundo fator favorável ao senador, junto com as quedas na aprovação do governo e do próprio presidente, é uma conjuntura ruim, que inclui vários fatores, principalmente o debate com os conservadores. Esse ponto ganhou força durante o Carnaval, quando Lula foi homenageado pela escola de samba Acadêmicos de Niterói, no Rio, que ironizou as famílias conservadoras em uma de suas alas.

Outros pontos pró-Flávio Bolsonaro são as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Dias Toffoli, pelo seu envolvimento no caso do Banco Master. Segundo Cortez, a opinião pública tem a leitura de que Lula defende o STF, enquanto as críticas ao Supremo ficam para a oposição.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Lula tem uma competitividade eleitoral muito mais fruto dos dilemas da oposição do que propriamente de uma percepção de que ele merece ter um novo mandato, seja porque a desaprovação é maior do que a aprovação de governo, seja por uma ideia de continuidade”, completou.

Efeito Bolsonaro

Para Graziella Testa, professora do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a influência do ex-presidente Bolsonaro no processo político é “totalmente inegável” e o apoio dele para qualquer candidato que não seja da esquerda é decisivo.

Segundo ela, o fato de as pesquisas terem nomes e sobrenomes já com “referências” diminui a chance, ao menos neste momento, de um cenário alternativo, e ajuda a explicar o pequeno porcentual de indecisos, no máximo de 1%.

Mas, de acordo com Graziella, o atual momento, a oito meses do primeiro turno, é muito distante para entender esse cenário como consolidado. “A gente gosta de pesquisa porque não gosta de imprevisibilidade, mas ainda é muito pouco informativa para as pessoas”, afirmou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ainda de acordo com a cientista política e professora da UFPR, se surgir algum nome relevante no campo da direita, algum outsider que ganhe corpo — como foi Pablo Marçal, nas eleições municipais paulistanas, em 2024 –, existe a possibilidade de Flávio Bolsonaro perder votos.

“Portanto, quem tem que ficar mais preocupado com outros nomes é o Flávio”, afirmou ela.

Já Cortez, da Tendências, avalia o resultado da pesquisa como “muito natural” e sinalizador para uma disputa muito parecida com a de 2022. Com isso, o cenário aponta para o crescimento de Flávio Bolsonaro, a polarização política e o espaço pequeno para entrada de candidatos de uma terceira via, em particular dos governadores e pré-candidatos do PSD, na avaliação do cientista político.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar