Caso Master é escandaloso, mas não é inovador
Se você embarcou agora nesse ônibus chamado Brasil, pode até achar que o Caso Master é o-maior-escândalo-já-registrado-na-história. Bem, ele é escandaloso mesmo. Sobre ser o maior, depende do ponto de vista. Mas não é nada inovador.
O Brasil, aliás, goza de uma capacidade ímpar para inovar na forma de praticar atos de corrupção, mas tantos já vieram a público que é difícil achar um realmente novo.
Os contatos de Daniel Vorcaro e sua teia de relações, por exemplo, lembra muito o caso Odebrecht, revelado há poucos mais de dez anos. A empreiteira, aliás, foi mais profissional: em vez de festas secretas, uma planilha com nome e codinome e um “departamento de operações estruturadas”.
A correlação entre os dois casos foi feita pela jornalista Malu Gaspar numa entrevista recente ao podcast Market Makers. Malu é autora do livro “A organização: A Odebrecht e o esquema de corrupção que chocou o mundo”.
Neste livro, a jornalista – que cobriu o caso desde seu início – detalha como a empresa se organizou profissionalmente para fazer pagamentos de propina e obter crescimento por meio de relações pouco republicanas. Opinião pessoal: esse caso ainda coloca o Caso Master no chinelo, como dizia minha avó.
Outra boa história a ser contada está em O País dos Privilégios, do Bruno Carazza. Neste livro, ele detalha os meandros do corporativismo estatal e joga na cara do leitor as regalias e benesses no topo das carreiras do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.
Enquanto não temos um livro sobre o caso Master para ler e guardar para a posteridade do próximo escândalo, esses dois títulos nos ajudam a perceber que nada é novo no Brasil, nem a corrupção que nos assola. E que os esquemas podem ser bem mais estruturados do que são.
É bom para mantermos o olho vivo.