Cemig (CMIG3): Após desinvestimentos, companhia vai concentrar esforços em Minas Gerais
A Cemig (CMIG4) tem apostado em um plano de investimentos de R$ 70 bilhões com foco integral em Minas Gerais, após reorientar sua estratégia e concentrar esforços em geração, transmissão e distribuição de energia no estado. A mudança marca uma virada no modelo de negócios da companhia, que deixou de priorizar participações minoritárias em outros estados para reforçar sua atuação no mercado onde tem maior expertise.
A sinalização foi feita pelo CEO da companhia, Reinaldo Leite, durante painel no CNN Talks, realizado na manhã desta quarta-feira (1), ao detalhar o racional por trás do plano e o que os acionistas podem esperar da nova fase da empresa.
Segundo o executivo, a Cemig passou por um reposicionamento estratégico após anos de investimentos fora de seu core business, com participações em ativos como Light (LIGT3), Renova (RNEW4) e Santo Antônio. Agora, a companhia busca concentrar capital e execução em Minas Gerais, seu estado de origem, em um movimento que combina disciplina financeira e foco operacional.
“A gente reposicionou o modelo de negócios. Hoje, 100% desses R$ 70 bilhões estão sendo investidos em Minas. É focar em Minas e vencer”, afirmou.
A mudança foi viabilizada, em parte, pela venda desses ativos, o que ajudou a gerar caixa para financiar o novo ciclo de investimentos. Segundo Leite, a companhia também avançou na redução de custos e na adequação aos parâmetros regulatórios, criando espaço para ampliar investimentos sem comprometer a rentabilidade.
“Nós colocamos a casa em ordem. A Cemig hoje está abaixo de todos os parâmetros regulatórios e isso permitiu destravar investimentos”, disse.
Grande parte dos recursos será destinada à expansão e modernização da rede elétrica, considerada central para a transição energética e para o crescimento da demanda no país. Segundo o executivo, cerca de 80% do plano está direcionado para infraestrutura de rede.
“Rede é a infraestrutura das infraestruturas. Sem rede, você não tem mobilidade, não tem telecom, não tem saneamento e não tem transição energética”, afirmou.
Entre os principais projetos, a Cemig prevê a construção de 200 novas subestações — das quais 150 já foram entregues — e a instalação de cerca de 30 mil quilômetros de redes trifásicas, com foco no atendimento ao setor agropecuário. A companhia também trabalha na modernização de ativos antigos, em um esforço para melhorar a qualidade do serviço.
Segundo Leite, cerca de 70% das subestações da companhia tinham mais de 30 anos, enquanto mais da metade superava os 40 anos, o que evidencia o tamanho do desafio de atualização da infraestrutura.
Ao mesmo tempo, a empresa busca equilibrar expansão com retorno ao acionista. Atualmente, o executivo lembrou, a Cemig distribui cerca de 50% do lucro em dividendos, mantendo a outra metade para financiar investimentos, em uma estratégia que busca equilibrar retorno ao acionista e crescimento da companhia.
Cemig e as renováveis
No pano de fundo, o executivo destacou que o Brasil já possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com cerca de 90% de participação de fontes renováveis, o que coloca o país em posição privilegiada na transição energética global.
Para ele, essa vantagem pode ser explorada tanto na exportação de produtos verdes quanto na atração de indústrias intensivas em energia, como data centers e projetos ligados ao hidrogênio.
“O Brasil tem uma infraestrutura integrada e limpa que nenhum outro país tem. Nosso desafio é preservar essa vantagem e aproveitá-la”, disse.
Segundo Leite, o avanço da demanda por energia — especialmente com o crescimento de setores intensivos em consumo — reforça a necessidade de investimentos em rede, ao mesmo tempo em que abre novas oportunidades para o país.
“Um data center pode consumir mais energia do que uma cidade inteira. Esse é o tamanho da oportunidade que temos pela frente”, afirmou.