CEO do Bradesco (BBDC4): ‘O mercado cobra mais do que chefes’
Apesar de resultados acima do esperado, com lucro de R$ 6,5 bilhões, parte do mercado torceu o nariz para as projeções do Bradesco (BBDC4). No after-market de Nova York, as ADRs chegaram a cair quase 5%.
Para este ano, o banco projeta crescimento da carteira de crédito de até 10,5%. Em 2025, a expansão foi de 11%, o que sinaliza alguma desaceleração no ritmo.
Segundo o JPMorgan, a expectativa é de que o Bradesco encerre o ano com lucro de R$ 27,5 bilhões, cifra 2,4% inferior à estimativa anterior de R$ 28,2 bilhões.
Para o CEO do banco, Marcelo Noronha, a reação reflete um mercado mais exigente e com expectativas elevadas em relação ao papel. ‘O mercado cobra mais do que os chefes, cobra mais do que o conselho’, afirmou.
O executivo lembrou que, a cada trimestre, a régua sobe e que parte dos investidores passou a trabalhar com lucros na casa de R$ 30 bilhões ou até R$ 31 bilhões.
‘Internamente, ficou claro que não faz sentido perseguir crescimento de 30% ao ano no lucro líquido sacrificando competitividade no longo prazo. O plano sempre foi step by step’, disse.
Noronha também destacou que a carteira de crédito cresceu 11%, mesmo diante de uma base comparativa forte. Segundo ele, caso haja espaço para avançar mais um ou dois bilhões, o banco irá fazê-lo, ‘sempre com disciplina e pé no chão’.
‘O mercado de capitais viveu uma alta relevante no ano passado, e as ações seguem acumulando ganhos. Movimentos de correção são naturais quando as expectativas ficam muito elevadas. Por isso, a mensagem é clara: manter o pé no chão’, afirmou.
O CEO reforçou ainda que o papel acumulou forte valorização nos últimos meses: alta de 16% no ano e de 70% nos últimos 12 meses.
‘Muito provavelmente o mercado devolve alguma coisa hoje, porque cria expectativas de lucro de R$ 30 bilhões. O que estamos dizendo é: vamos colocar o pé no chão’, concluiu.