China ameaça retaliar e bolsas não desabam; investidor aposta em possível acordo com os EUA

Os mercados acionários mundiais parecem pouco abalados diante da escalada da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, após o anúncio de que os americanos, na madrugada de hoje, puseram em vigor uma sobretaxa de 25% sobre US$200 bilhões em importações chinesas e que se preparam para estendê-la a mais US$325 bilhões em mercadorias do país asiático.
Independentemente dos fatores técnicos, que podem dificultar tal decisão, a medida de elevar as tarifas de importação de todos os bens chineses nos EUA reverberará na economia global em algum momento.
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E não descartemos o fato de que a China, assim que foi informada da elevação das tarifas, ameaçou retaliar – só não disse como.
O que surpreende hoje é que o mercado não está reagindo a tal ameaça, que pode vir na forma de uma desvalorização maior do iuan (o que anularia parcialmente a elevação das tarifas), de vendas massivas de Treasuries americanos pelo Banco Central do Povo da China (o que se traduziria em um aumento dos juros nos EUA) ou em menores fluxos de comércio com a própria China e aliados.
Por que será? Segundo gestores consultados pela TC News, o sentimento levita entre a especulação pura e o olfato estratégico. Por um lado, alguns veículos de imprensa disseram mais cedo que a comunicação direta entre os presidentes americano Donald Trump e o chinês Xi Jinping deve ganhar mais peso.
Por outro, a declaração do próprio Trump, na véspera, de que tem na mão uma “alternativa excelente” ao acordo em negociação tirou as bolsas das mínimas ontem e, segundo os gestores, ainda deve estar permeando o sentimento de mercado.

Vamos ter mais uma rodada de conversas hoje em Washington, o que deve ser o foco central desta sexta-feira. Ontem, a reunião entre o vice premiê chinês, Liu He, o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, durou pouco mais de uma hora.
Essa novela é que vai ditar o rumo dos mercados no Brasil, onde a bolsa enfrenta forte resistência a passar dos 95 mil pontos e o câmbio procura se aproximar dos R$4 por dólar. Com a política mostrando de novo algum sinal de piora na esteira das derrotas do governo do presidente Jair Bolsonaro no Congresso, essa pressão pode ganhar alguma força hoje.
A agenda econômica traz como destaque o IPCA, que deve mostrar desaceleração em abril para 0,61%, embora a taxa acumulada em 12 meses deva subir a 5%, a maior em mais de dois anos.
Os dados deverão ser analisados pelo mercado com atenção, especialmente após o Banco Central ter mantido a taxa básica de juros estável e ter reconhecido que a desaceleração econômica está piorando. Também teremos inflação dos EUA, cujo recente tombo deve ser transitório, segundo o BC dos EUA, o Federal Reserve.
Do lado corporativo, o destaque será a teleconferência da Vale, às 10h00, onde a gestão da companhia terá a chance de explicar como está se resolvendo em meio aos problemas legais e operacionais decorrentes do acidente da mina em Brumadinho. Mais de uma dúzia de companhias terá teleconferências hoje e BRF, Ser Educacional e M.Dias Branco serão algumas da empresas que divulgarão balanços.