China confirma casos de febre aftosa; focos podem representar reavaliação de salvaguardas
A China confirmou casos de febre aftosa em rebanhos bovinos nas províncias de Gansu e Xinjiang, envolvendo mais de 6 mil animais, dos quais 219 apresentaram sintomas da doença.
Os diagnósticos foram realizados pelo Centro Chinês de Prevenção e Controle de Doenças Animais, em testes conduzidos pelo Laboratório de Referência para Febre Aftosa, com confirmação dos surtos em 28 de março. Os casos foram registrados no condado de Yining, na prefeitura de Ili (Xinjiang), e no condado de Gulang, na cidade de Wuwei (Gansu).
Segundo a Reuters, o foco em Xinjiang ocorreu em um mercado com 513 bovinos, sendo 142 sintomáticos. Já em Gansu, o surto foi identificado em uma fazenda com 5.716 animais, dos quais 77 apresentaram sintomas.
De acordo com o Ministério da Agricultura da China, medidas emergenciais foram adotadas imediatamente após a confirmação dos casos, incluindo abate sanitário, desinfecção, descarte seguro, monitoramento, triagem e investigações epidemiológicas.
É o fim das salvaguardas da China?
Para o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, o episódio deve ser tratado, por ora, como um foco isolado. No entanto, ele alerta que uma eventual disseminação da doença pode agravar um cenário já desafiador para a pecuária chinesa, que enfrenta queda na produção e perspectiva de redução de rebanho ao longo do ano.
Nesse contexto, um avanço da aftosa poderia levar o governo chinês a reavaliar as medidas de salvaguarda adotadas na virada do ano. “É um ambiente que pode provocar uma mudança de postura da China no mercado”, afirma.
Segundo Iglesias, o mercado deve acompanhar de perto a evolução dos casos. Caso o surto permaneça contido, os impactos tendem a ser limitados. Por outro lado, uma escalada da doença pode alterar o perfil de atuação chinesa e gerar reflexos relevantes no comércio global de proteínas.