Alberto Fernández

China e Argentina fazem falta, sim, para fechar as contas do Brasil, diz Banco Central

06 jan 2020, 17:49 - atualizado em 06 jan 2020, 17:49
Brasil China Jair Bolsonaro Xi Jinping
Aos fatos: enquanto Bolsonaro idolatra Trump, é a China que paga nossas contas (Imagem: REUTERS/Jason Lee)

Esqueça as picuinhas ideológicas do presidente Jair Bolsonaro e sua ala mais radicalmente alinhada à civilização judaico-cristã supostamente representada por Donald Trump. Na ponta do lápis, a Argentina e a China importam, e muito, para que o Brasil feche as contas no azul.

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Quem diz isso não é nenhum esquerdista ou adversário político. É o próprio Banco Central, presidido por Roberto Campos Neto, indicado pelo próprio Bolsonaro. Enquanto seu chefe joga para o eleitorado, o BC fez as contas: a forte deterioração nas contas externas do país, em 2019, foi puxada por argentinos e chineses.

Aos números

O BC divulgou um estudo especial nesta segunda-feira (6), em que apresenta os números. A autoridade monetária começa pelo básico: o saldo das transações correntes se deteriorou fortemente entre janeiro e novembro do ano passado (o período analisado pelo estudo).

Parceria valiosa: Argentina, comandada por Fernández, compra produtos de maior valor agregado (Imagem: REUTERS/Agustin Marcarian)

As transações correntes são o resultado da balança comercial e do balanço de pagamentos do país (saldo líquido das remessas e dos aportes de recursos entre o país e o exterior, referentes a resultados de empresas e pessoas físicas, entre outros).

De janeiro a novembro, o déficit mensal se aprofundou: de 0,7% do PIB para 2,8% do PIB. O principal fator destacado pelo BC foi a piora do saldo comercial, cujo superávit baixou de 3,1% do PIB para 2,2% no mesmo período. A diferença corresponde a uma queda de US$ 11,6 bilhões.

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“Parceiros comerciais relevantes, Argentina e China estão entre os principais destinos para os quais o Brasil reduziu suas vendas externas de mercadorias, com quedas respectivas de US$ 5,0 bilhões e de US$ 0,6 bilhão, no acumulado de 2019 em relação ao mesmo período de 2018”, afirma o estudo do BC.

Ameaças

Incensado por Bolsonaro, os EUA não foram capazes de anular o recuo no saldo comercial brasileiro. É verdade que as vendas para lá aumentaram US$ 800 milhões no período, mas a cifra fica pouco acima dos US$ 700 milhões acrescentados às exportações para o Japão.

E nunca é demais lembrar que Trump ameaça, de tempos em tempos, sobretaxar nossos produtos – justamente, quando eles ganham mercado em seu país.

O BC lembra que a Argentina é nossa maior cliente de produtos manufaturados – aqueles que apresentam maior valor agregado e, portanto, nos geram mais divisas. Os vizinhos compraram nada menos que 90% de nossas manufaturas, nos últimos dez anos, puxados pela exportação de automóveis.

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Donald Trump EUA
Incerteza: tido como salvador da civilização ocidental pelo governo, Trump ameaça sobretaxar produtos brasileiros (Imagem: Reuters/Kevin Lamarque)

Assim, enquanto Bolsonaro troca caneladas com o novo presidente argentino, Alberto Fernández, o BC alerta para o fato de que, se a Argentina não estivesse enfrentando uma grave crise econômica, as exportações para lá seriam US$ 3,5 bilhões maiores entre janeiro e outubro, na comparação com o mesmo intervalo de 2018. No acumulado de 2019, o saldo seria US$ 5,5 bilhões maior.

A China também daria uma grande ajuda para termos um 2019 melhor. Sem a guerra comercial entre a China e os EUA (na qual, o governo Bolsonaro torce incondicionalmente para os americanos), e a queda do volume físico vendido de soja (devido à peste suína), as exportações para a China cresceriam US$ 5,8 bilhões no ano passado.

Negócios são negócios

“Analisando conjuntamente os efeitos estimados da Argentina e da China, dois importantes destinos dos produtos brasileiros, conclui-se que grande parte da recente deterioração das exportações adveio dos choques sofridos por esses dois países”, afirma o BC.

A autoridade monetária conclui que, “se esses episódios não tivessem ocorrido, a queda das exportações no acumulado dos dez primeiros meses de 2019, em relação ao mesmo período de 2018, teria sido de US$ 0,3 bilhão, ante US$10,6 bilhões observados.”

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Ou seja, perderíamos 97% menos do que o efetivamente computado. Resta saber, se Bolsonaro dará ouvidos aos números de seus próprios assessores, ou se continuará tuitando para a galera.

Veja, a seguir, a íntegra do estudo do Banco Central.

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Diretor de Redação do Money Times
Ingressou no Money Times em 2019, tendo atuado como repórter e editor. Formado em Jornalismo pela ECA/USP em 2000, é mestre em Ciência Política pela FLCH/USP e possui MBA em Derivativos e Informações Econômicas pela FIA/BM&F Bovespa. Iniciou na grande imprensa em 2000, como repórter no InvestNews da Gazeta Mercantil. Desde então, escreveu sobre economia, política, negócios e finanças para a Agência Estado, Exame.com, IstoÉ Dinheiro e O Financista, entre outros.
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