China enfrenta preços mais altos em novas compras de soja dos EUA para agradar Trump
Importadores chineses de soja enfrentam custos muito mais elevados para importar 8 milhões de toneladas adicionais de cargas dos EUA, cuja compra, segundo o presidente Donald Trump, Pequim está avaliando, já que os suprimentos concorrentes do Brasil estão muito mais baratos em sua temporada de pico de exportação.
Ainda assim, Pequim poderia ordenar compras pelas empresas estatais de grãos para agradar Trump antes de sua visita à China, prevista para abril, enquanto busca outras concessões de Washington, afirmaram operadores e analistas.
“Existe uma lógica de mercado no momento para a China adquirir mais soja dos EUA, justamente quando a safra do Brasil está chegando? Não”, disse Even Rogers Pay, diretor da consultoria Trivium China, com sede em Pequim.
“Mas isso poderia facilitar o caminho para uma visita de Estado ainda mais produtiva e lucrativa de Trump em abril? Talvez.”
O contrato de referência de soja na bolsa de Chicago foi negociado perto de uma máxima de dois meses nesta quinta-feira, sustentado pelas expectativas da demanda chinesa.
A China está considerando comprar 20 milhões de toneladas de soja dos EUA na temporada atual, disse Trump após conversas na quarta-feira com o presidente Xi Jinping, que ele descreveu como “muito positivas”.
O Ministério do Comércio da China não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
As estatais chinesas Sinograin e Cofco já compraram cerca de 12 milhões de toneladas de soja dos EUA desde as negociações comerciais com os Estados Unidos em outubro, pagando quase US$100 milhões a mais do que pagariam pela soja brasileira, com base nos preços de mercado.
Aumento da diferença de preço
O aumento dos preços da soja norte-americana ampliou a diferença com os carregamentos brasileiros, o que forçaria os compradores chineses a pagar prêmios muito mais altos do que os pagos desde novembro, disseram operadores.
A soja norte-americana para embarque em abril foi cotada a US$2,08 a US$2,48 o bushel acima do contrato de soja de maio da Bolsa de Chicago (CBOT), incluindo custo e frete para a China, contra embarques brasileiros com prêmios de US$1,18 a US$1,33 o bushel.
“O spread entre o Brasil e os EUA é de cerca de US$50 por tonelada em base FOB”, disse um trader de Cingapura. “Isso não faz sentido comercial.”
Nesses níveis, a China pagaria até US$400 milhões a mais por oito milhões de toneladas de soja norte-americana do que pelas cargas brasileiras.
Esmagadoras privadas não devem entrar no mercado
Mesmo com os preços em paridade, é improvável que as esmagadoras privadas entrem no mercado para comprar, com Pequim ainda impondo uma tarifa de 13% sobre a soja norte-americana, contra 3% sobre as cargas brasileiras.
As esmagadoras privadas chinesas não compraram uma única carga de soja norte-americana na temporada que começou em setembro, preferindo se voltar para o Brasil e a Argentina, disseram os operadores.
As margens de esmagamento no principal centro de processamento da China, em Rizhao, têm sido negativas desde agosto.
Desde dezembro, a Sinograin realizou quatro leilões, vendendo cerca de 2 milhões de toneladas de soja importada das reservas para liberar espaço para as remessas norte-americanas que estão chegando.
Os comerciantes disseram que esperam mais leilões após o feriado do Ano Novo Lunar deste mês.