Internacional

Gianduia: como as guerras napoleônicas deram origem a um dos doces de chocolate mais amados do mundo

21 mar 2026, 8:56 - atualizado em 20 mar 2026, 15:09
Guerras napoleônicas provocaram escassez de cacau, a matéria-prima do chocolate, na Europa do início do século 19. Imagem gerada por IA.
Guerras napoleônicas provocaram escassez de cacau, a matéria-prima do chocolate, na Europa do início do século 19. Imagem gerada por IA.

A atual crise do cacau tem causado indigestão nos chocólatras de todo o mundo. Em meio a mudanças climáticas de difícil reversão, produção em queda e desequilíbrios de mercado, estimativas recentes sugerem que a matéria-prima do chocolate corre o risco de sumir do mapa dentro de pouco mais de duas décadas.

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É o prenúncio de uma potencial tragédia para mais da metade da população mundial. Estimativas da indústria indicam que pelo menos 4,5 bilhões de pessoas ao redor do planeta consomem chocolate regularmente.

Se não falta demanda, essa também não é a primeira vez que o cacau vive um choque de oferta. E um dos momentos mais emblemáticos nos quais isso ocorreu no passado levou a uma das invenções mais inesperadas de todos os tempos.

O cacau, Napoleão e a guerra

Aconteceu no início do século 19. As guerras napoleônicas deixavam um rastro de sangue e destruição na Europa. As estimativas mais conservadoras indicam que pelo menos 3,5 milhões de pessoas morreram entre 1803 e 1815 em consequência dos conflitos provocados pelas ambições expansionistas do imperador francês Napoleão Bonaparte.

Vez ou outra, porém, momentos amargos como guerras resultam em inovações — muitas delas aleatórias e simplesmente doces.

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As guerras napoleônicas mudaram o mapa e as relações de força dentro de uma Europa muito mais fragmentada do que hoje. Em meio à proliferação de conflitos pelo continente, Napoleão encampava uma série de estratégias com o objetivo de enfraquecer seus inimigos.

Entre elas estava o chamado bloqueio continental, um embargo que proibia os aliados da França de fazer comércio com o Reino Unido e suas colônias ao redor do mundo.

O bloqueio continental resultou em uma escassez generalizada de produtos importados. Um desses produtos era o cacau.

O chocolate precisava render

Entre tiros de canhão e bloqueios navais, a escassez de cacau na Europa do início dos anos 1800 levou um doceiro piemontês a moer um fruto seco e duro abundante na região onde vivia para fazer o chocolate render.

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O chocolatier era Michele Prochet, de Turim, na Itália. Ele misturou o cacau com avelãs moídas. A noz era endêmica na região do Piemonte.

Estava criada a gianduia, um creme de avelã à base de chocolate que conquistou o paladar local e, mais tarde, o mundo inteiro.

A gianduia não só salvou a produção de chocolate naquele momento de crise, como décadas mais tarde inspirou a criação de produtos icônicos como a Nutella, que mantém viva a tradição da mistura do chocolate com as avelãs.

Mais de dois séculos depois, a produção global anual do creme de avelã à base de chocolate ultrapassa as 400 mil toneladas e faz girar, por baixo, o equivalente a mais de R$ 31 bilhões por ano.

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