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Choque de petróleo alivia, mas inflação segue pressionada; o que ainda preocupa os economistas

25 jun 2026, 11:19 - atualizado em 25 jun 2026, 11:20
inflação ipca Brasil
(Imagem: Canva Pro)

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) de junho veio abaixo das expectativas do mercado e reforçou uma leitura de inflação ainda pressionada, mas com alguma melhora na margem. O índice subiu 0,41%, abaixo das projeções da mediana do Broadcast.

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Em 12 meses, o indicador acumula alta de 4,80%, ainda acima do teto do intervalo de tolerância da meta de inflação, o que mantém o debate sobre a convergência de preços no radar do mercado.

Composição melhora na margem, mas quadro segue desigual

Apesar de ainda ser classificado como um cenário de inflação “ruim” ou “pressionada” por parte dos economistas, a composição do índice trouxe sinais mistos, com alguns pontos de alívio em serviços e combustíveis, mas pressões persistentes em alimentação e energia.

Na visão dos economistas, a principal surpresa positiva veio da moderação dos núcleos, especialmente em serviços. Para a Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica, houve uma composição qualitativamente melhor, com surpresa baixista em serviços e bens industriais, ainda que parte desse movimento seja concentrado e não disseminado.

Mesmo assim, o dado ajuda a reforçar a tese de que a inflação pode ter perdido força na margem.

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Já Leandro Costa, economista do ASA, destacou que o núcleo de serviços teve uma das leituras mensais mais fracas do ano, com desaceleração da média móvel de três meses, o que contribui para uma melhora qualitativa após um período prolongado de pressão inflacionária.

"O resultado de junho traz um balanço qualitativo mais benigno após meses de inflação pressionada pelo choque de combustíveis", avalia o economista.

Em contrapartida, Costa destaca que o núcleo de bens ainda mostra resiliência, sugerindo que o alívio não é homogêneo.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, também chamou atenção para a persistência dos serviços subjacentes, que seguem em patamares elevados tanto no acumulado em 12 meses quanto nas métricas mais recentes, o que ajuda a explicar por que a convergência da inflação à meta pode estar ainda distante.

Alimentação e energia seguem como principais vetores de alta

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Do lado das pressões, o grupo de Alimentação e bebidas voltou a ser um dos principais responsáveis pela alta do mês, com avanço de 0,74%, influenciado por fortes aumentos em itens in natura como batata-inglesa, tomate, feijão e cebola. Em alguns casos, os preços acumulam altas superiores a 100% no ano.

Outro destaque foi o grupo de Habitação, com alta de 0,72%, puxado principalmente pela energia elétrica residencial, impactada pela bandeira tarifária amarela e por reajustes regionais.

Esses dois grupos, juntos, responderam por cerca de dois terços do resultado do IPCA-15 de junho.

Na direção oposta, o grupo de Transportes apresentou leve deflação, com destaque para a queda dos combustíveis, especialmente etanol e gasolina. O movimento ajudou a compensar parte das pressões vindas de alimentos e energia, contribuindo para o resultado final mais baixo do que o esperado.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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