Ciclo de corte de juros deve terminar contracionista, avalia Itaú
Diante do cenário global e da deterioração das expectativas para a inflação, o Itaú avalia que existe menos espaço para corte de juros neste ano. Com isso, a equipe de macroeconomia do banco passou a projetar uma taxa Selic terminal em 13% ao ano, em 2026, ante os 12,25%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou o afrouxamento monetário de forma tímida na última reunião, com um corte de 25 pontos-base, colocando a Selic no patamar dos 14,75% ao ano. Na análise do banco, o ritmo foi “moderado”, dado o contexto em que a decisão foi tomada.
Para a próxima reunião do comitê, que acontece em maio, a expectativa é de um novo corte da mesma magnitude para dar continuidade ao tom mais cauteloso que o Banco Central tem adotado em sua comunicação.
A equipe avalia que a incerteza deve permanecer elevada até a próxima reunião do Copom e adiciona que seu cenário-base é de que a resolução do conflito deva acontecer no fim de abril, enquanto a normalização do Estreito de Ormuz venha apenas em maio.
“A sinalização recente, no entanto, não estabelece uma barra alta para um corte de magnitude maior (-50bps) em abril, caso a normalização da distribuição de petróleo ocorra mais rapidamente”, destacaram os economistas do Itaú no relatório.
Para 2027, a expectativa segue mantida com a expectativa da perpetuação da flexibilização monetária, mas com um ajuste nas projeções. Antes, o banco via uma taxa terminal em 11,25%, agora a expectativa é que finalize o próximo ano em 12%.
Inflação com riscos altistas
As projeções para a inflação, claro, também sofreram alterações. Para 2026, a equipe revisou o Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA) para 4,5%, ante 3,8% anteriormente, refletindo as últimas leituras pressionadas e aumento de combustíveis diante de um preço médio do petróleo mais alto.
Além disso, após vários meses de assimetria, o Itaú passou a considerar o balanço de riscos altista.
“Consideramos ajustes de preços de combustíveis no médio prazo, refletindo um patamar de equilíbrio do petróleo estruturalmente mais elevado no pós-guerra (US$75/barril no final do ano, ante US$65
anteriormente), com impacto em gasolina, em alimentos e industriais (via aumento dos custos de frete
por alta do diesel) e em passagem aérea (via aumento de QAV)”, explicaram os economistas.
Para 2027, a projeção também foi revisada para cima. As expectativas passaram de 3,9% para 4,1%, incorporando a maior inércia inflacionária. Eles destacam que para o próximo o ano, caso haja prolongamento da guerra, o maior impacto seria nos custos de produção agrícola,
impactando a inflação de alimentos.
Outras projeções do Itaú
Já em relação a taxa de câmbio, as projeções se mantiveram em R$ 5,40 em 2026 e R$ 5,60 em 2027, mesmo diante do cenário mais incerto. Segundo a equipe, o real tem se mostrado resiliente, apoiado pela melhora nos termos de troca e pelo diferencial de juros elevado.
Também foram mantidas as expectativas de crescimento do PIB de 1,9% em 2026 e 1,7% em 2027, sob a justificativa de que a ligeira que apesar da revisão negativa que fizeram para o crescimento econômico mundial e a perspectiva de maior contração monetária serão compensadas pelo efeito positivo da elevação do preço do petróleo e incorporação de um cenário mais positivo para o crédito habitacional.
“Cabe notar, contudo, que o viés de alta que havia para 2026 diminuiu diante de uma eventual desaceleração global mais intensa resultante do conflito”, explicaram no documento.
No mercado de trabalho, também preservaram as estimativas para a taxa de desemprego em 5,7% em 2026 e 6,0% em 2027.