Economia

Ciclo de corte de juros deve terminar contracionista, avalia Itaú

30 mar 2026, 16:02 - atualizado em 30 mar 2026, 16:02
(Imagem: alexsl/ iStock)

Diante do cenário global e da deterioração das expectativas para a inflação, o Itaú avalia que existe menos espaço para corte de juros neste ano. Com isso, a equipe de macroeconomia do banco passou a projetar uma taxa Selic terminal em 13% ao ano, em 2026, ante os 12,25%.

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O Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou o afrouxamento monetário de forma tímida na última reunião, com um corte de 25 pontos-base, colocando a Selic no patamar dos 14,75% ao ano. Na análise do banco, o ritmo foi “moderado”, dado o contexto em que a decisão foi tomada.

Para a próxima reunião do comitê, que acontece em maio, a expectativa é de um novo corte da mesma magnitude para dar continuidade ao tom mais cauteloso que o Banco Central tem adotado em sua comunicação.

A equipe avalia que a incerteza deve permanecer elevada até a próxima reunião do Copom e adiciona que seu cenário-base é de que a resolução do conflito deva acontecer no fim de abril, enquanto a normalização do Estreito de Ormuz venha apenas em maio.

“A sinalização recente, no entanto, não estabelece uma barra alta para um corte de magnitude maior (-50bps) em abril, caso a normalização da distribuição de petróleo ocorra mais rapidamente”, destacaram os economistas do Itaú no relatório.

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Para 2027, a expectativa segue mantida com a expectativa da perpetuação da flexibilização monetária, mas com um ajuste nas projeções. Antes, o banco via uma taxa terminal em 11,25%, agora a expectativa é que finalize o próximo ano em 12%.

Inflação com riscos altistas

As projeções para a inflação, claro, também sofreram alterações. Para 2026, a equipe revisou o Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA) para 4,5%, ante 3,8% anteriormente, refletindo as últimas leituras pressionadas e aumento de combustíveis diante de um preço médio do petróleo mais alto.

Além disso, após vários meses de assimetria, o Itaú passou a considerar o balanço de riscos altista.

“Consideramos ajustes de preços de combustíveis no médio prazo, refletindo um patamar de equilíbrio do petróleo estruturalmente mais elevado no pós-guerra (US$75/barril no final do ano, ante US$65
anteriormente), com impacto em gasolina, em alimentos e industriais (via aumento dos custos de frete
por alta do diesel) e em passagem aérea (via aumento de QAV)”, explicaram os economistas.

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Para 2027, a projeção também foi revisada para cima. As expectativas passaram de 3,9% para 4,1%, incorporando a maior inércia inflacionária. Eles destacam que para o próximo o ano, caso haja prolongamento da guerra, o maior impacto seria nos custos de produção agrícola,
impactando a inflação de alimentos.

Outras projeções do Itaú

Já em relação a taxa de câmbio, as projeções se mantiveram em R$ 5,40 em 2026 e R$ 5,60 em 2027, mesmo diante do cenário mais incerto. Segundo a equipe, o real tem se mostrado resiliente, apoiado pela melhora nos termos de troca e pelo diferencial de juros elevado.

Também foram mantidas as expectativas de crescimento do PIB de 1,9% em 2026 e 1,7% em 2027, sob a justificativa de que a ligeira que apesar da revisão negativa que fizeram para o crescimento econômico mundial e a perspectiva de maior contração monetária serão compensadas pelo efeito positivo da elevação do preço do petróleo e incorporação de um cenário mais positivo para o crédito habitacional.

“Cabe notar, contudo, que o viés de alta que havia para 2026 diminuiu diante de uma eventual desaceleração global mais intensa resultante do conflito”, explicaram no documento.

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No mercado de trabalho, também preservaram as estimativas para a taxa de desemprego em 5,7% em 2026 e 6,0% em 2027.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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