Plano B? Cientistas encontram planeta parecido com a Terra a apenas 150 anos-luz
A descoberta de planetas semelhantes à Terra costuma alimentar uma fantasia recorrente: a ideia de que a humanidade estaria cada vez mais perto de encontrar um “plano B” fora do Sistema Solar.
O candidato mais recente a esse “planeta B” é o HD 137010 b, um corpo celeste recém-identificado por astrônomos. Ele tem dimensões próximas às da Terra e está localizado a cerca de 150 anos-luz de distância, dentro da Via Láctea — o que, em termos cósmicos, é praticamente logo ali.
O achado foi detalhado nesta semana em um estudo publicado na revista Astrophysical Journal Letters e chama atenção por reunir características raras entre os milhares de exoplanetas já catalogados. Ainda assim, os pesquisadores acreditam que o planeta não oferece condições para receber seres humanos.
Um planeta quase gêmeo da Terra
O HD 137010 b apresenta tamanho muito semelhante ao do nosso planeta, com cerca de 6% a mais de diâmetro, e possui uma órbita surpreendentemente familiar. Um “ano” nesse mundo dura aproximadamente 355 dias, número bastante próximo aos 365 dias da Terra.
Além disso, o planeta gira em torno de sua estrela a uma distância comparável à que Marte mantém do Sol. Por isso, os cientistas descrevem o HD 137010 b como um “meio-termo entre a Terra e Marte”, uma posição intermediária que o coloca no limite da chamada zona habitável — a região onde a água poderia existir em estado líquido, ao menos em teoria.
Quem fez a descoberta
A análise foi conduzida por pesquisadores da University of Southern Queensland, em colaboração com cientistas da Harvard University e da University of Oxford.
Os dados analisados vêm de observações realizadas em 2017 pelo telescópio espacial Kepler, da NASA, missão que revolucionou a busca por planetas fora do Sistema Solar ao detectar pequenas variações no brilho de estrelas distantes.

Zona habitável, mas no limite
Segundo o astrônomo Alex Venner, autor principal do estudo, existe cerca de 50% de chance de o HD 137010 b estar dentro da zona habitável de sua estrela. Ainda assim, ele próprio faz a ressalva: o planeta está “realmente no limite do que consideramos possível em termos de habitabilidade”.
Isso ocorre porque a estrela em torno da qual o planeta orbita, embora semelhante ao Sol, é mais fria e menos luminosa. Como resultado, o HD 137010 b receberia menos de um terço da luz e do calor que chegam à Terra. As estimativas indicam que a temperatura máxima da superfície pode atingir cerca de –68 °C, valor próximo à média da superfície de Marte, em torno de –65 °C.
Na prática, mesmo que exista água, ela provavelmente permaneceria congelada durante a maior parte do tempo.
Ainda não é um planeta confirmado
Outro fator que limita o entusiasmo é que o HD 137010 b ainda não é considerado um planeta confirmado. No artigo científico, ele aparece classificado como “candidato”, já que precisa de pelo menos mais uma observação independente para que sua existência seja validada de forma definitiva.
Somente com novos dados os astrônomos poderão estimar melhor sua massa, composição e, principalmente, verificar se ele possui uma atmosfera capaz de reter calor — condição essencial para qualquer cenário minimamente habitável.
Por que a descoberta empolga
Mesmo com todas as ressalvas, a descoberta é considerada relevante por um motivo principal: a proximidade cósmica. Para os padrões da Via Láctea, 150 anos-luz é uma distância relativamente curta.
“O que realmente empolga nesse planeta do tamanho da Terra é o fato de sua estrela estar muito mais próxima do nosso sistema”, afirma a pesquisadora Chelsea Huang, uma das autoras do estudo.
Segundo ela, o planeta mais parecido já identificado em torno de uma estrela semelhante ao Sol, o Kepler-186f, está cerca de quatro vezes mais distante e é muito mais fraco, o que dificulta observações detalhadas.
Perto no mapa, longe na prática
Em entrevista ao The Guardian, a astrofísica Sara Webb, da Universidade de Swinburne, classificou a descoberta como “empolgante”, mas fez questão de colocar o entusiasmo em perspectiva.
Mesmo sendo considerado “próximo” em termos galácticos, uma viagem até o HD 137010 b levaria dezenas de milhares — ou até centenas de milhares — de anos com as tecnologias atuais.
No fim das contas, o planeta não representa um destino viável, mas um sinal científico importante.