Cogna (COGN3), Yduqs (YDUQ3) ou Ânima (ANIM3)? JP Morgan tem nova ação favorita no setor de educação
Para começar um novo ano, o JP Morgan revisou as estimativas para o setor de educação e reavaliou as recomendações para as companhias.
O banco elevou a recomendação da Ânima Educação (ANIM3) para overweight – equivalente à compra – e a transformou na sua ação favorita do setor (top pick).
A Cogna (COGN3) também teve a recomendação revisada positivamente de neutra para compra. Por fim, o banco manteve a Ser Educacional (SEER3) na lista das suas indicações positivas.
Já Yduqs (YDUQ3) e Afya (AFYA) foram rebaixadas da recomendação de compra para neutra.
As revisões, segundo os analistas Marcelo Santos e Livea Mizobata, são justificadas pela mudança do parâmetro de avaliações: o banco passou a considerar o múltiplo de preço sobre lucro (P/L) em vez de Fluxo de Caixa Livre (FCF, na sigla em inglês).
“Após muitos períodos com foco na geração de FCF, acreditamos que as empresas já comprovaram sua capacidade de converter lucros em caixa e, assim, voltamos a priorizar os lucros, por entendermos que são uma estimativa melhor e menos volátil do que o FCF”, dizem os analistas em relatório.
Ânima: a top pick do setor
O JP Morgan tem preferência para as ações da Ânima por apenas um motivo: a companhia deve ser a principal beneficiada pelos cortes na Selic, com início previsto em março.
Os economistas do banco projetam uma reduação de 3,5 pontos percentuais na taxa básica de juros brasileira até dezembro, levando a Selic de 15% agora para 11,5% no fim deste ano.
Para o time, o alívio nos juros ainda não está precificado nas ações ANIM3. Nas contas da dupla, cada variação de 1 ponto percentual na taxa de juros eleva os lucros da companhia em 8 pontos percentuais – acima do impacto de 1 a 7 pontos percentuais dos pares.
Além de elevar a recomendação, o JP Morgan revisou o preço-alvo de R$ 5 para R$ 9 nos próximos 12 meses, o que representa um potencial de valorização de 154,9% sobre o preço de fechamento de ontem, quando as ações encerraram cotadas a R$ 3,43.
Negociadas fora do Ibovespa, ANIM3 figurou como a maior alta da B3, com salto de 13,88%, a R$ 4,02.
Hora de comprar conhaque
Para os analistas do JP Morgan, a Cogna segue negociando a um valuation atrativo e mantém uma perspectiva sólida de crescimento.
“Vemos uma perspectiva de crescimento de receita mais elevada para 2026, de 12% contra 5%, devido ao crescimento mais rápido do segmento de ensino superior (Kroton) em si, além da contribuição do ensino fundamental e médio (K12), que se expande em ritmo mais acelerado”, escreveram os analistas Marcelo Santos e Livea Mizobata, em relatório.
O banco também considera que a atualização das regras sobre a mudança regulatória do Ministério de Educação (MEC) para os cursos de Enfermagem, que passarão a ser oferecidos em formato presencial obrigatoriamente, “pode ajudar a companhia”.
“Acreditamos que a decisão recente sobre a aprovação em ‘fast track’ para cursos de enfermagem pode ajudar a companhia a perder menos receitas”, avaliou a dupla de analistas.
No fim de dezembro, o MEC permitiu que os grupos educacionais que ainda ofertam cursos de enfermagem à distância solicitem o credenciamento de novas unidades presenciais durante o período de transição de dois anos, iniciado em maio.
O banco tem preço-alvo de R$ 6,50 para COGN3, o que representa um potencial de valorização de 95,2% sobre o preço de fechamento de ontem (6).
No Ibovespa, as ações da educacional lideraram os ganhos nesta quarta-feira (7), com alta de 7,51%, a R$ 3,58.
Os descontos da época: Yduqs e Afya
Com a mudança no parâmetro de avaliação, os analistas do JP Morgan ficaram menos otimistas com Yduqs em comparação com as demais companhias do setor. Isso pela perspectiva de crescimento limitado.
“Vemos a Yduqs como uma operação sólida, mas o crescimento de receita deve ser menor que o da Cogna em 2026”, disseram analistas. Nas contas do banco, Yduqs deve apresentar alta de 5% na receita deste ano contra aumento de 12% da Cogna.
Além disso, para o JP, a YDUQ3 está “cara”. “A ação negocia a múltiplos relativamente elevados de 7,1x P/L projetado em 2026, caindo para 4,7x P/L projetado para 2027, versus 5,4x/4,2x da Cogna e múltiplos menores para Ser/Ânima.”
A dupla de analistas ainda prevê que a companhia não deve atingir a meta de lucro por ação (EPS, na sigla em inglês) de 1,70 a R$ 2,00. A estimativa do banco é de EPS de R$ 1,53 neste ano.
Com o rebaixamento de YDUQ3, o banco cortou o preço-alvo de R$ 22 para R$ 21. O novo alvo implica em uma potencial valorização de 62,8% sobre o preço do fechamento anterior.
No Ibovespa, as ações frguraram na ponta negativa, encerrando o dia com queda de 2,33%, a R$ 12,60.
Já no caso da Afya, os analistas avaliam a companhia como uma operação “premium” e bem administrada, mas preferem Ânima para exposiação a medicina ou Laureate, do México/Peru, para maior previsibilidade.
“Afya seria a empresa menos impactada por um ciclo de afrouxamento monetário, dado seu baixo nível de alavancagem”, afirmaram os analistas. O preço-alvo também foi reduzido de US$ 24,50 para US$ 22 – potencial valorização de 41,8% sobre o fechamento de ontem.
Listada na Bolsa de Nova York (NYSE), AFYA terminou a sessão com queda de 4,58%, a R$ 14,80.