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Com rally do arroz e trigo, Bank of America eleva preços de 2 ações; vale comprar?

10 jun 2024, 19:05 - atualizado em 10 jun 2024, 19:05
ações trigo arroz bank of america
Segundo o banco, ambas as empresas apresentam sólido impulso no curto prazo; maiores custos e novo negócio deve pesar sobre ações (Imagem: REUTERS/Pascal Rossignol)

O Bank of America atualizou o preço-alvo para as ações da M. Dias Branco (MDIA3) e  Camil (CAML3) após os últimos resultados das empresas, assim como o rally nos preços do trigo e arroz.

Com isso, o preço-alvo de MDIA3 passou de R$ 37 para R$ 42, com recomendação neutra, enquanto o alvo para CAML3 saiu de R$ 8,30 para R$ 10, com recomendação de venda. As ações da MDIA3 e CAML3 fecharam com quedas de 2,07% e 6,8%, respectivamente.

Segundo o banco, ambas as empresas apresentam sólido impulso no curto prazo. Porém, os analistas acreditam que a recente alta nos preços do trigo representa risco de margem para a M Dias no 4T24, enquanto a Camil está ampliando suas novas divisões de negócios, principalmente de café.

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No entanto, o BofA mantém uma visão mais construtiva sobre M. Dias do que sobre Camil, principalmente porque a Camil superou M. Dias em 32% no acumulado do ano e está negociando com um desconto de 11% no EV/EBITDA (valor da firma sobre resultado operacional) a 5,6x no ano fiscal de 2025E contra 42% históricos.

Custos para M.Dias devem subir com alta do trigo

O banco comenta que os preços do trigo escalaram 20% nos últimos 3 meses, para UD$ 6,5 por bushel (+6% em um ano), dadas as preocupações renovadas de restrição de oferta na Rússia e na Ucrânia (14% da produção global / 31% do comércio global) e exportações indianas iminentes.

“A curva futura aponta para preços acima de US$ 7/bushel nos próximos 12 meses, o que combinado com um real mais fraco (depreciação de 8% no acumulado do ano), deve levar a custos mais elevados para a M. Dias no final de 2024 (assumindo que eles possuem estoques de trigo até o 3T24)”, veem Isabella Simonato e Julia Zaniolo, que assinam o relatório.

Neste cenário, o banco reforça sua recomendação neutra, já que reduziu a expectativa para o Ebitda da empresa em 9% para 2024, para compensar o primeiro trimestre mais fraco, e em 6% para 2025, devido aos preços mais altos do trigo.

“Prevemos um impulso sólido nos próximos trimestres, uma vez que os custos dos estoques de trigo estão baixos e os preços de venda estão em alta; mas as margens devem atingir o pico este ano”, avaliam.

Preços do arroz ajuda Camil, mas negócio cafeeiro pesa

Os preços do arroz subiram cerca de 50% em um ano, para cerca de R$ 115/saca, dada a menor oferta no Brasil nas últimas duas temporadas, em cerca de 10,5 milhões de toneladas, contra 11-12 milhões de toneladas potenciais.

“A Camil tem um negócio de repasse e por isso costuma aumentar os preços à medida que o custo do arroz aumenta. Como tal, os preços dos produtos de elevado volume de negócios subiram 25% em termos homólogos no último trimestre”, explicam.

Em função das enchentes no Rio Grande do Sul, há uma preocupação adicional com as perdas da safra atual, já que 17% das lavouras ainda precisam ser colhidas. Assim, com temores quanto as condições do solo nas próximas safras, o que deve fazer com que os preços sigam em patamares elevados nos próximos trimestres.

A partir deste quadro, dados os preços mais altos do arroz, o Bank of America elevou o Ebitda da Camil no fiscal de 2025 e 2026 em 4% e 5%, respectivamente. No entanto, há desafios relacionados ao crescimento do negócio cafeeiro, com esse impulso já precificado.

Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural, onde atuou como editor do Rural Notícias, programa de TV diário dedicado à cobertura do agronegócio. Por lá, participou da produção e reportagem do Projeto Soja Brasil, que cobre o ciclo da oleaginosa do plantio à colheita, e do Agro em Campo, programa exibido durante a Copa do Mundo do Catar e que buscava mostrar as conexões entre o futebol e o agronegócio.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural, onde atuou como editor do Rural Notícias, programa de TV diário dedicado à cobertura do agronegócio. Por lá, participou da produção e reportagem do Projeto Soja Brasil, que cobre o ciclo da oleaginosa do plantio à colheita, e do Agro em Campo, programa exibido durante a Copa do Mundo do Catar e que buscava mostrar as conexões entre o futebol e o agronegócio.
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