Comércio global em alerta: Trump e tarifas pesam sobre tendências, diz FGV
O unilateralismo do presidente norte-americano Donald Trump e a adoção de acordos preferenciais tornam mais imprevisíveis as tendências dos fluxos de comércio exterior no cenário atual.
A avaliação consta no relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado nesta sexta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
“Começamos 2026 com a ‘certeza’ de que a imprevisibilidade e as incertezas continuarão a fazer parte do cenário mundial. No curto prazo, o possível encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agendado para março, poderá — ou não — resultar na retirada das tarifas sobre produtos afetados, especialmente manufaturados, ainda sujeitos ao tarifaço de 50%. Além disso, espera-se a aprovação da parte comercial do acordo Mercosul-União Europeia pelo Conselho Europeu”, apontou o Icomex.
Segundo o relatório, em 2025 houve efeito “nítido” da influência de Trump, com queda do câmbio após um período de desvalorização.
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 4,3 bilhões em janeiro de 2026, alta de US$ 2 bilhões em relação a janeiro de 2025.
“A principal contribuição para esse aumento veio do saldo comercial com a China, que passou de déficit de US$ 536,6 milhões em janeiro de 2025 para superávit de US$ 717,7 milhões no mesmo mês de 2026. A segunda maior contribuição foi da União Europeia, com superávit de US$ 308,4 milhões em 2026, ante saldo positivo de US$ 98,5 milhões em janeiro de 2025. Já os demais mercados registraram redução do superávit (América do Sul e Ásia, exclusive China) ou aumento do déficit (Estados Unidos)”, destacou a FGV.