Internacional

Comissária de Comércio da União Europeia deixa legado contra protecionismo

28 nov 2019, 13:45 - atualizado em 28 nov 2019, 13:45
“Ela sempre será uma diplomata, sem ser estrondosa. Isso não é uma fraqueza”, disse um especialista em política comercial (Imagem: Reprodução/Facebook Cecilia Malmström)

Nos últimos cinco anos no posto de comissária de Comércio da União Europeia, Cecilia Malmstrom fechou acordos com o resto do mundo para expandir os mais de 295 bilhões de euros (US$ 325 bilhões) em comércio do bloco.

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Essa bem-sucedida abertura de mercado não é pouca coisa, já que Malmstrom, conhecida por sua civilidade e consistência, enfrentou o desafio protecionista do presidente dos EUA, Donald Trump, contra a ordem comercial global.

Devido à renúncia de Malmstrom no sábado, a sueca de 51 anos deixa para trás uma série de objetivos cumpridos – incluindo três importantes acordos de livre comércio – que guiarão o rumo da UE por décadas além do atual tumulto no comércio internacional.

“Malmstrom não grita”, mas sabe se defender, disse Jacques Pelkmans, especialista em política comercial e membro sênior do think tank CEPS, em Bruxelas. “Ela sempre será uma diplomata, sem ser estrondosa. Isso não é uma fraqueza.”

Sendo a única mulher no cargo de comissária europeia de Comércio a cumprir um mandato completo até hoje, Malmstrom comandou a maior ofensiva da UE no campo de comércio internacional da história do bloco.

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Ameaça dos EUA e China

Ao mesmo tempo, Malmstrom liderou uma campanha defensiva para impedir que o sistema da Organização Mundial do Comércio entrasse em colapso sob as tensões combinadas do protecionismo dos EUA e o fracasso da China em se tornar uma economia de mercado completa quase duas décadas depois de ser admitida na OMC.

“Apesar de ser muito aberta, civilizada e atenciosa”, Malmstrom também tem se guiado por princípios e sido “dura quando necessário”, disse Eleonora Catella, consultora sênior em assuntos comerciais da confederação BusinessEurope, em Bruxelas. “Ela conseguiu muitas coisas.”

Certamente, a deterioração das relações da UE com os EUA como resultado da agenda “America First” de Trump e os esforços inconclusivos para promover mudanças econômicas na China comunista serão componentes amargos do legado de Malmstrom. Também serão um fator de preocupação para seu sucessor, o irlandês Phil Hogan, que foi comissário para a Agricultura da UE.

Os EUA e a China podem ser os dois principais parceiros comerciais da UE, mas ameaçam de diferentes maneiras a ordem comercial global com a qual o bloco de 28 países está comprometido. E, com os EUA e a China presos em uma guerra comercial, as ameaças são mais graves do que nunca.

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