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Como a Cyrela (CYRE3) pode destravar R$ 1,9 bilhão em dividendos extraordinários, segundo o JP Morgan

01 abr 2026, 13:06 - atualizado em 01 abr 2026, 13:06
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Cyrela (CYRE3) pode destravar até R$ 1,9 bi em dividendos com venda de participações, mas retorno ao acionista seria limitado, diz JP Morgan (Foto: Flávya Pereira/Money Times)

A Cyrela (CYRE3) poderia destravar dividendos extraordinários de até R$ 1,88 bilhão caso vendesse integralmente suas participações em Cury (CURY3), Lavvi (LAVV3) e Plano&Plano (PLPL3), segundo relatório do JP Morgan.

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Apesar do montante bilionário e à primeira vista chamativo, o estudo do banco norte-americano apontou que o retorno total seria limitado devido à redução no preço justo remanescente da construtora.

Isso ocorre porque o ganho seria pontual e compensado posteriormente pela perda de valor dos ativos no balanço da Cyrela. Pelos cálculos do JP Morgan, o retorno total ao acionista seria de apenas 1%.

Na prática, a maior parte do lucro viria da venda das ações acima do valor contábil — ou seja, seria um efeito não recorrente.

Após a operação, contudo, a empresa ficaria menor e com menos capacidade de geração de resultados.

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O peso das investidas

Para se ter uma ideia, durante 2025, por exemplo, CURY3, PLPL3 e LAVV3 adicionaram cerca de R$ 395 milhões ao lucro líquido da Cyrela.

A cifra representou aproximadamente 20% do total reportado, sendo R$ 170 milhões oriundos da Cury, R$ 123 milhões da Plano & Plano e R$ 102 milhões da Lavvi.

Sem essa contribuição, portanto, o resultado da companhia seria afetado e, consequentemente, reduzido.

Venda da Cury é melhor cenário

O JP Morgan simulou seis cenários de desinvestimentos. O mais favorável envolve a venda total da fatia de cerca de 15% na Cury, com potencial de retorno de até 14%.

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A explicação está na forte valorização de CURY3 desde o IPO, o que ampliou a diferença entre o valor de mercado e o valor registrado no balanço da Cyrela.

De acordo com o relatório, essa operação poderia gerar cerca de R$ 1,18 bilhão em dividendos extraordinários. No entanto, nem mesmo esse cenário alteraria a tese estrutural.

O estudo observa que, ao vender a participação total, a Cyrela renunciaria a algo importante: a Cury gera lucro recorrente todo ano.

O JP Morgan aponta que a manutenção dessas fatias é o que ajuda a Cyrela a manter um ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) elevado, em torno de 18% a 19%. Sem a contribuição da Cury, por exemplo, o ROE implícito cairia para 17,8%.

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Se todas as participações (Cury, Plano & Plano e Lavvi) fossem vendidas, o ROE cairia ainda mais, para cerca de 16%.

Vale lembrar, porém, que a Cyrela já realizou movimentos nessa direção. No terceiro trimestre de 2025 (3T25), a companhia reportou cerca de R$ 210 milhões em ganhos com a venda de ações da Cury.

Premissas do estudo

Os cenários do relatório levaram em consideração algumas premissas, como a tributação de 15% sobre o lucro com as vendas das participações.

Além disso, todas as simulações consideraram que a Cyrela conseguiria cancelar acordos de acionistas sem penalidades.

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O acordo atual com as empresas estabelece que a Cyrela deve manter 15% em Lavvi, 14% em Cury e 14% em Plano&Plano.

Por que a Cyrela é compra para o JP Morgan

Mesmo com o exercício, o JP Morgan mantém recomendação overweight (equivalente à compra) para os pepéis CYRE3, com preço-alvo de R$ 37,50, o que implica potencial de valorização próximo de 20%.

A expectativa do banco é de que a construtora continue se beneficiando da diversificação de negócios, atuando tanto na baixa renda como na média e na alta, além do crescimento das três investidas.

Além disso, a casa também destaca que as subsidiárias da Cyrela incluem ainda a CashMe, uma empresa focada em empréstimos com garantia imobiliária, que tem uma carteira que poderá valer cerca de R$ 2 bilhões — ainda pouco refletido no valuation.

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.

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