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Como as cotas da carne bovina para o Brasil ajudam os suínos da China?

23 fev 2026, 12:01 - atualizado em 23 fev 2026, 12:01
carne bovina suínos china
(iStock.com/artbyPixel)

A China decidiu aplicar cotas para a importação de carne bovina de uma série de países, incluindo o Brasil. A medida é uma tentativa de proteger o mercado interno e, embora seja direcionada à proteína bovina, deve produzir efeitos relevantes sobre a indústria chinesa de suínos.

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Após um período de oferta reduzida provocado pela crise da Peste Suína Africana (PSA), iniciada em 2018 e que levou ao abate de cerca de 60% do rebanho do país, a China passou a conviver com um cenário oposto: excesso de produção.

O choque sanitário acelerou um processo de modernização, com forte avanço em verticalização, genética e padrões de sanidade, tornando a suinocultura menos vulnerável a doenças.

Essa transformação resultou em ganhos de produtividade acima do esperado pelo governo. O primeiro reflexo foi a redução das importações de carne suína. Em seguida, veio a formação de estoques estratégicos — atualmente em torno de 500 mil toneladas, segundo a Safras & Mercado.

Para Fernando Iglesias, analista de proteína animal da consultoria, a adoção de cotas para a carne bovina pode funcionar como um mecanismo de suporte à suinocultura chinesa.

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“Projetamos inflação nos preços da carne bovina, tanto pela redução das importações quanto por um ano de menor produção de boi na China. Isso implica oferta mais enxuta e tende a deslocar parte da demanda para a carne suína, ajudando a recompor margens. Além disso, a demora dos chineses em restabelecer os embarques de frango do Brasil, após o caso de gripe aviária, também está alinhada a essa estratégia de defesa do mercado local”, afirma.

Hoje, o custo de produção de carnes na China é elevado, com prejuízos acumulados tanto na suinocultura quanto na bovinocultura de corte nos últimos meses. Para efeito de comparação, o milho é negociado no país a cerca de US$ 333 por tonelada, ante US$ 220 no Brasil.

“Não foi por acaso que o setor produtivo, incapaz de competir com matéria-prima importada, pressionou o governo por medidas de proteção. Após um longo estudo, optou-se por salvaguardas. Assim como ocorreu com o tarifaço promovido por Donald Trump, a decisão tende a gerar inflação. A diferença é que, enquanto os EUA recuaram em parte das medidas, a China mira a proteção estrutural da produção local no longo prazo”, completa Iglesias.

O crescimento da carne bovina na China

Segundo Hyberville Neto, da HN Agro, a carne bovina tem ganhado espaço de forma consistente na dieta do consumidor chinês. Para ele, as cotas podem, de fato, beneficiar a suinocultura, mas é preciso considerar a mudança estrutural nos hábitos alimentares.

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Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que, entre 2016 e 2026, o consumo doméstico de carne bovina na China saltou de 6,9 milhões para 11,3 milhões de toneladas — alta de 64,3%. No mesmo período, o consumo de frango cresceu 27,3%, enquanto o de carne suína avançou apenas 3,9%.

“Apesar da forte recuperação da produção suína após a PSA, quando excluímos o efeito da queda anterior, o aumento do consumo foi bastante sutil”, pondera Neto.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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