BusinessTimes

Como o Mercado Livre pode ‘engolir’ a Americanas (AMER3)?

16 fev 2023, 18:26 - atualizado em 16 fev 2023, 18:28

A derrocada da Americanas (AMER3), que entrou em colapso após informar rombo de R$ 20 bilhões, deve acelerar a expansão do Mercado Livre aqui no Brasil, afirmam Marcello Silva e Rodrigo Nasser, ambos fundadores da Aster Capital, no 32º episódio do Market Makers. O capitulo foi especial e falou sobre as estratégias e os segredos da gigante argentina.

Segundo Nasser, a Americanas tem o modelo mais parecido com o Mercado Livre em relação à estrutura de sellers (vendedores).

“Quando você conversa com o seller, eles falam assim: onde você vende mais? A primeira era o Mercado Livre e a segunda a Americanas. A Americanas tinha uma característica bem parecida com a característica do seller que vende no Mercado Livre“, discorre.

O analista ressalta ainda que empresas de tecnologia que fazem leitura de competição no markplace indicam que houve uma queda de 30% da quantidade do número de ofertas na Americanas desde o rombo de R$ 20 bilhões.

“Você tem uma diminuição do número de ofertas e provavelmente já são sellers diminuindo o número de ofertas e se espalhando. Para onde o consumidor deve ir? Provavelmente para o Mercado Livre e Magazine Luiza”, observa.

Ouça o episódio: 

Mercado Livre: Goldman Sachs concorda com a visão

Para o Goldman Sachs, maior banco de investimento do mundo, a perda de competitividade da Americanas significa uma “oportunidade em potencial” para os argentinos.

Isso inclui operações pouco desbravadas, como é o caso do segmento 1P (one party-seller). Trata-se de um modelo de negócio em que o comerciante vende o produto para a plataforma de marketplace, que realiza tanto a venda como a entrega.

No caso do Mercado Livre, o volume de mercadorias do segmento 1P ainda corresponde a apenas 5% do volume total de mercados da empresa (GMV, na sigla em inglês).  Apesar da exposição pouco expressiva, há indícios concretos de que a visão da empresa sobre o modelo one party-seller está se transformando.

Desde 2019, a empresa vem falando em se tornar mais ativa na linha de bens duráveis (eletrodomésticos ‘linha branca’, eletroeletrônicos), a serem comercializados pela via 1P.

É aí onde pode estar a mina de ouro para o Mercado Livre. Segundo estima o Goldman, a linha de duráveis da Americanas corresponde a 50% do GMV de R$ 40 bilhões negociado online pela empresa – fatia esta que pode ser abocanhada pela gigante latina graças à combinação de uma forte infraestrutura (tecnológica e logística) e flexibilidade de caixa.

Adicionalmente às próprias vantagens, o Mercado Livre pode se aproveitar do flanco aberto pela crise de desconfiança que se sucede à crise contábil da Americanas e que atinge fornecedores e consumidores da varejista brasileira na mesma proporção.

Ouça o episódio: 

Com Jorge Fofano

Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os 50 jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022 e 2023. É editor-assistente do Money Times. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
Linkedin
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os 50 jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022 e 2023. É editor-assistente do Money Times. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
Linkedin