Conflito no Oriente Médio: preço do alumínio pode subir com guerra? Entenda
A escalada do conflito no Oriente Médio, que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, tem potencial para pressionar os preços do alumínio, a depender da duração da guerra, segundo relatório do Goldman Sachs.
Os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) e o Irã, juntos, representam cerca de 9% da produção global de alumínio primário, ou aproximadamente 20% da produção mundial, ao excluir a China.
Os analistas do Goldman destacam que os maiores riscos estão na possível interrupção das capacidades de exportação e do acesso às matérias-primas do alumínio via Estreito de Ormuz.
O preço do alumínio avançava 1,80%, a US$ 3,252,50 a tonelada, na London Metal Exchange (LME), por volta das 11h20 (horário de Brasília).
Riscos aumentam com conflito prolongado
No cenário de interrupção das exportações por menos de uma semana, o Goldman tem expectativa de impacto limitado nos preços de alumínio, visto que o mercado já está precificando o metal com valores “bem acima” do considerado justo.
No caso de um mês de perda total de produção da região, os estoques globais de alumínio no primeiro trimestre de 2026 (1T26) seriam reduzidos de 51 para 48 dias, nas estimativas do banco.
“Somando-se a isso um possível aumento de 130% nos preços de energia na Europa, esses eventos poderiam justificar temporariamente um preço de US$ 3.600 (US$ 400 acima do preço à vista) para alcançar margens alinhadas à tendência histórica em relação aos estoques”, observa o Goldman.
A despeito do risco de alta da commodity metálica, o Goldman manteve o cenário-base para o alumínio, de uma média de US$ 3.150 no primeiro semestre de 2026 na LME, visto que o desenrolar do conflito no Oriente Médio ainda é incerto.
“Esperamos que a nova oferta da Indonésia ganhe ritmo no segundo semestre do ano, elevando os estoques globais visíveis e reduzindo o prêmio de risco”, acrescentam os analistas do banco.
Além do preço-base, eles preveem potencial significativo de alta nos prêmios do alumínio na Europa — que ainda permanecem bem abaixo dos picos de 2022 —, devido à importância da oferta do GCC para a região, aos baixos níveis de estoque e ao fechamento programado da fundição Mozal da South32 neste mês.