Amazon (AMZN): Como Jeff Bezos criou um império a partir de uma loja de livros online?
Diferente da narrativa clássica do Vale do Silício, a Amazon (AMZN) – hoje uma das gigantes globais da tecnologia, com valor de mercado de US$ 2,5 trilhões – não surgiu como uma típica “startup de garagem”.
Em 1994, quando a ideia começou a tomar forma, Jeff Bezos já não era apenas um jovem sonhador com poucos recursos e uma boa intuição. Ele carregava uma carreira estável: ocupava o cargo de vice-presidente sênior em um fundo de hedge em Wall Street, mas decidiu apostar em um novo negócio movido por uma estatística que não saía de sua cabeça.
Na década de 90, a internet crescia em um ritmo bastante acelerado, a 2.300% ao ano. Esse número brilhou os olhos de Bezos, que percebeu a oportunidade de criar uma loja online de seleção infinita, o que não era possível no meio físico.
Os produtos escolhidos inicialmente foram os livros pela praticidade logística. Porém, ao longo dos anos, a Amazon expandiu a atuação para além da livraria online.
No quarto episódio da temporada do Tech Riders – dedicada à história das 5 principais big techs: Alphabet, Apple, Microsoft, Meta e Amazon –, o especialista em tecnologia da Empiricus Asset, Pedro Carvalho, conta em detalhes a história da big tech.
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Como começou a história da Amazon?
Jeff Bezos e Mackenzie Scott – esposa do empresário na época – se mudaram de Nova Iorque para Seattle em 1994 para tirar a ideia da loja online do papel.
A escolha da cidade foi motivada pela localização da Microsoft, o que facilitaria o acesso a talentos técnicos, e da distribuidora de livros Ingram, uma das maiores dos Estados Unidos. Além disso, a população de Washington era pequena, o que livrava a empresa de cobrar impostos sobre vendas para a maioria dos clientes americanos.
O investimento inicial foi de US$ 300 mil, emprestados dos pais de Jeff Bezos. A chance de perder o capital era de 70%, mas o sucesso da Amazon foi gigante já nos primeiros anos.
O site foi ao ar em 1995. Entre 1996 e 1997, as vendas já registravam um crescimento de 880%, no valor de US$ 147 milhões. A expansão levou ao IPO da Amazon nos EUA já em 97 e as ações da empresa levaram vários investidores a um patrimônio milionário.
“Em 1999, a Amazon passou a vender eletrônicos, brinquedos, software, videogame, tudo. E o mercado, óbvio, amava. Jeff Bezos foi eleito a pessoa do ano pela revista Time. Parecia que nada poderia dar errado, mas, nos bastidores, a Amazon estava queimando dinheiro como se fosse lenha”, explica Pedro Carvalho.
E o que não se esperava é que houvesse um estouro da bolha da internet por vir, o que quase levou a companhia à falência.
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A ‘jogada de mestre’ que salvou da bolha da internet
Na virada do milênio, o “boom” que estava ocorrendo nas empresas ligadas à internet se tornou pânico. Houve o estouro da bolha PontoCom e diversas companhias do segmento faliram no período.
A Amazon passou por um estado de tensão no fim dos anos 90, com inúmeros analistas projetando um final trágico para a empresa de Bezos. As ações, que no auge custavam mais de US$ 100, derreteram para US$ 6.
Porém, um ponto interessante na história da big tech é a decisão que “salvou” a Amazon do colapso da bolha da internet.
Um mês antes do estouro da bolha, a CFO da empresa na época, Joy Covey, levantou US$ 672 milhões em títulos da Europa, o que deu oxigênio para a companhia em meio ao caos do mercado (veja detalhes no episódio completo do Tech Riders).
Além dos livros: O que mais tornou a Amazon um império?
Para chegar ao patamar atual de gigante global, a Amazon precisou expandir os negócios ao longo dos anos para além da loja de livros online. Nos 30 anos de história, a companhia fez uma série de inovações tanto no ambiente tecnológico quanto com produtos físicos.
Hoje, ela está presente em diferentes indústrias: entretenimento, logística, e-commerce e infraestrutura digital, por exemplo (veja cada uma das atuações aqui).
Antes mesmo da virada do milênio, a Amazon já vendia todo tipo de produto no site. Depois do estouro da bolha da internet, Bezos surgiu com uma ideia polêmica, mas que impulsionou o tamanho da empresa: o marketplace, que transformou a varejista em uma plataforma.
Ainda no início dos anos 2000, a empresa lançou uma estratégia de fidelização de clientes que perdura até hoje: o Amazon Prime, a assinatura mensal que dá frete grátis e benefícios.
Mas a companhia não parou só na venda e entrega de produtos. Em 2006, a Amazon lançou um serviço que surgiu do know-how da equipe interna de tecnologia. “Eles perceberam que, de tanto apanhar para escalar o site, tinham se tornado especialistas mundiais em operar uma infraestrutura de tecnologia barata e confiável”, explica o especialista da Empiricus Asset.
Assim, a Amazon passou a comercializar um sistema operacional para a internet com a AWS (Amazon Web Services), essencial para a criação de diversas startups famosas, como Netflix, Airbnb e Dropbox.
“A Amazon agora dominava o varejo e a infraestrutura digital, mas Bezos estava ficando paranoico com outra coisa. Ele olhava para Apple e para o iPhone e sentia medo. Então ele decidiu que a Amazon precisava invadir o mundo físico com seus próprios aparelhos”, diz Pedro Carvalho.
Com esse receio em mente, a empresa lançou produtos como o Kindle, a assistente virtual Alexa e até um celular que foi um verdadeiro fracasso em vendas, o Fire Phone.
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A obsessão de Bezos pelo ‘dia um’
O que guiou a Amazon até se tornar uma gigante foi o foco no que Jeff Bezos chama de “dia um”. Como Carvalho explica no episódio do Tech Riders, o empresário desenvolveu uma filosofia de gestão projetada para combater a entropia no ambiente corporativo:
“Em 2016, ele deu a definição mais assustadora ao explicar o que seria o ‘dia dois’. Ele disse o seguinte: ‘o dia dois é a êxtase seguida pela irrelevância, seguida por um declínio excruciante e doloroso, seguido pela morte. E é por isso que é sempre o dia um.”
No episódio completo do Tech Riders, Pedro Carvalho explica todos os detalhes da trajetória da Amazon, como:
- As pessoas envolvidas na história da companhia;
- O modelo de negócio ao longo dos anos;
- Os sucessos e fracassos da big tech;
- Como Bezos encontrou a “fórmula da Coca-Cola” do e-commerce; e
- Os princípios de liderança da empresa.
Para assistir e entender como a loja de livros online se tornou um império, basta clicar no vídeo abaixo: