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BC deve fazer no máximo dois cortes de 25 pontos na Selic em 2026, afirma Matheus Spiess, da Empiricus Research

29 maio 2026, 11:00 - atualizado em 28 maio 2026, 11:03
banco central selic pib
Estrategista da casa de análises acredita que estamos próximos de uma pausa no ciclo de cortes da taxa básica de juros do país, e a composição da inflação mostra o porquê (Imagem: Banco Central/Antônio Cruz)

O Banco Central (BC) deve promover mais um ou dois cortes na taxa básica de juros (Selic), de 0,25 ponto percentual cada um, e pausar o ciclo de queda momentaneamente. Essa é a visão de Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research.

Ele participou do programa Giro do Mercado, do Money Times, antes da divulgação do IPCA-15 de maio, e afirmou que não estava otimista em relação aos números do índice.

O economista acertou. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a chamada prévia da inflação teve avanço de 0,62% no mês, após subir 0,89% em abril, acima das expectativas de 0,57%.

A alta acumulada em 12 meses passou de 4,37%, no período anterior, para 4,64%, número acima do teto da meta de 4,5%.

De acordo com Spiess, o centro do problema está na composição dos últimos índices publicados e não necessariamente no número cheio.

Por que a queda da Selic pode ter uma pausa

A categoria alimentos e bebidas chamou atenção no noticiário após a divulgação do IPCA-15. Os preços subiram 1,36% no mês, frente o avanço de 1,46% em abril.

Apesar de ter passado por uma queda ante o mês anterior, o grupo ainda corresponde por 48,4% do dado de maio – ou seja, praticamente metade da alta nessa prévia da inflação veio dos alimentos.

“Se tivermos inflação ruim e atividade resiliente, não haverá motivo para corte de juros. Mas eu entendo que o BC baixe pelo menos mais uma vez”, disse. Em sua visão, a autoridade monetária “quer” fazer mais dois cortes de 25 pontos base, porém, ainda não é possível saber com certeza se isso será possível.

Com isso, os juros brasileiros devem passar um período entre 14% ou 14,25% ao ano.

“As expectativas de inflação estão desancoradas de novo. Não faz sentido você seguir cortando juros”, explicou lembrando que a inflação está em trajetória de estourar o teto da meta novamente.

Ele também frisou o chamado “horizonte relevante” de atuação do BC, que vai até 2027 – é nesse período que a autoridade monetária pretende controlar a inflação com a política monetária atual.

A projeção do Comitê de Política Monetária (Copom) é de que os preços subam 3,5% no acumulado do ano que vem, meio ponto percentual acima da meta.

Spiess ainda lembra que a inflação é um problema em todo o mundo, mas que o Brasil também precisa melhorar significativamente em relação ao controle fiscal para que a Selic possa seguir em trajetória de baixa.

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Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, escreve sobre o mercado financeiro e economia desde 2021.
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