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Conheça as duas principais teses de value investing de Camilo Marcantonio, sócio-fundador da Charles River

05 jul 2024, 14:00 - atualizado em 05 jul 2024, 11:31
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Em evento, o gestor revela a estratégia por trás do sucesso do fundo Charles River FIA, que gerou um retorno de 700% desde sua criação (Imagem: Market Makers)

Camilo Marcantonio, sócio-fundador da gestora Charles River, foi o destaque do primeiro painel do Stock Picking Day, realizado pelo Market Makers no dia 4 de julho. O evento, que celebrou o segundo aniversário da iniciativa, reuniu os principais stock pickers do Brasil em um encontro inédito para desvendar os segredos de quem sabe escolher as ações vencedoras na bolsa de valores.

Durante o painel, Marcantonio compartilhou sua visão sobre o value investing e explicou como aplica os princípios dessa abordagem para alcançar uma valorização impressionante de 700% em seu fundo Charles River FIA, desde a fundação, em 2014. Além disso, também comenta sobre as ações que são as principais apostas do fundo.

Value investing: desafios e estratégias

O value investing há muito tempo tem sido aclamado como uma abordagem sólida e para identificar oportunidades de mercado subvalorizadas. Contudo, Camilo compartilha uma visão crítica sobre a abordagem, enfatizando que, embora seja uma estratégia robusta, o investidor frequentemente acaba falhando na hora de colocá-la em prática. 

Para ele, dois fatores principais são responsáveis por isso: o sistema de incentivos e os vieses comportamentais dos investidores.

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O gestor observa que o value investing muitas vezes coloca os investidores em uma posição contrária à maioria do mercado. Isso não apenas é desconfortável, mas também acarreta riscos significativos, especialmente quando há pressões sociais e financeiras para se alinhar ao consenso.

“Você tem um incentivo para andar junto com o grupo, especialmente depois que você fica maior e já tem um negócio”, explicou Camilo, destacando a dificuldade de resistir a essas pressões.

Além disso, ele ressalta os vieses comportamentais que frequentemente sabotam os esforços dos investidores. Ele destaca que o ser humano, por sua natureza, tende a favorecer a conformidade social e que “você conseguir estar fora do grupo, é uma coisa que é desconfortável para todo mundo”.

Para ele, esse viés de seguir o grupo ou, paradoxalmente, adotar um comportamento contrário compulsivo, pode levar a decisões precipitadas e erros significativos.

Qual a solução, então?

Diante desses desafios, Camilo sugere que o sucesso no value investing exige não apenas habilidades analíticas afiadas e uma equipe qualificada, mas também a capacidade de gerenciar esses desafios comportamentais e estruturais com sistemas e processos rigorosos.

A busca por oportunidades subvalorizadas requer não apenas coragem para estar fora do grupo, mas também uma disciplina meticulosa para evitar armadilhas emocionais.

Assim, enquanto o value investing continua a ser uma estratégia valorizada por sua lógica e potencial de retorno, Camilo destaca a importância de entender e mitigar esses desafios para alcançar sucesso sustentável nos mercados financeiros competitivos de hoje.

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Abordagem do value investing para commodities e estatais

Tradicionalmente, o value investing evita commodities e empresas estatais devido à alta incerteza. Entretanto, o gestor desafia essa norma e explica: “eu acho que empresas de commodities são menos arriscadas do que empresas que têm uma marca e que têm possivelmente um ROI muito elevado”

Ele ressalta que a previsibilidade a longo prazo das commodities é mais clara devido à demanda crescente e à necessidade constante de novas ofertas.

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Em relação às estatais, Camilo concorda com o mercado sobre o aumento do risco associado, mas ressalta que a análise do Charles River baseia-se em premissas conservadoras de avaliação.

“Eu acho que uma empresa estatal é mais arriscada que uma empresa de controle privado […] a gente só acha que dá para fazer premissas conservadoras, se estiver muito barato comprar”, afirma.

Para o Charles River, o foco está na avaliação de longo prazo e na identificação de oportunidades durante ciclos de mercado desvalorizados. Camilo explica: “agora, quando a gente olha a perpetuidade […] a maior parte do valor está no médio e longo prazo para a grande maioria das empresas”.

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Ele enfatiza que, embora avaliar o valor de uma marca seja desafiador, investir em commodities permite ao fundo basear-se em modelos conservadores de previsão de fluxos de caixa. 

“Para mim, não tem como ser conceitualmente menos arriscado. Eu tenho um elemento a mais para avaliar, e veja bem, para mim é o elemento mais difícil de todos, porque o valor de uma marca já é difícil se avaliar no ponto presente. Agora, avaliar o valor de uma marca daqui a 5, 10, 20 anos, é muito difícil”, argumenta.

A estratégia por trás do sucesso da Charles River

Conhecido por sua estratégia robusta de value investing, a essência do método Charles River reside na avaliação criteriosa do valor justo das empresas.

Segundo Camilo, “o que a gente faz é uma avaliação conservadora do valor justo de uma ação. Avaliar uma empresa, fluxos de caixa futuros, descontados o valor presente pelo custo de capital, de maneira bem conservador”.

Ele explica que essa avaliação não busca prever o futuro com precisão absoluta, mas estabelecer com alta probabilidade que o valor da empresa seja superior ao valor calculado inicialmente: 

“É isso que a gente está querendo dizer, não é que a empresa vale R$ 10 bilhões, mas que existe uma probabilidade muito superior a 50%, talvez algo como 80%, 90%, de a empresa valer mais que R$ 10 bilhões do que menos de R$ 10 bilhões.”

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Para mitigar riscos, o fundo Charles River FIA utiliza uma combinação de métricas quantitativas e qualitativas. Camilo destaca que “o conceito de margem de segurança é essa diferença entre o preço e o valor. Então se o valor que a gente falou, conservador, para aquela ação é R$ 100,00, se eu comprar por R$ 70,00, eu tenho 30% de margem de segurança”.

Ele enfatiza que o risco não se limita à volatilidade do mercado, mas à probabilidade de superestimar o valor da empresa. “O risco é a gente estar superestimando o valor da ação”.

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Com base nessa abordagem, o fundo Charles River FIA tem conseguido não apenas preservar o capital de seus investidores, mas também capitalizar oportunidades de investimento que oferecem retornos sólidos a longo prazo. 

Conheça as duas maiores apostas do Charles River FIA

No painel, Camilo compartilhou suas análises sobre dois dos principais investimentos do fundo: Brasil Agro (AGRO3) e PetroReconcavo (RECV3). As duas empresas ilustram a abordagem da Charles River em selecionar investimentos com alto potencial de valorização.

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O gestor destacou a Brasil Agro como um caso exemplar de investimento estratégico em terras. Como aponta, a Brasil Agro é uma empresa que transforma terras, comprando em estágios iniciais e valorizando-as com o tempo através de desenvolvimentos como fertilização e ajustes de solo. 

Ele observa que “é o único ativo que eu conheço que tem essa característica, […]  é um ativo que ele se valoriza com uso”, o que torna a atividade da empresa algo raro no mercado financeiro.

Além disso, Marcantonio enfatiza que “ela faz isso já há 18 anos, então tem muitos projetos já feitos de compra e investimentos. Os retornos são dígitos duplos em todos eles, muito acima do custo de capital dela”.

Sobre PetroReconcavo, Marcantonio explicou a visão positiva da Charles River: “a PetroReconcavo tem o histórico operacional mais consolidado entre as juniors, fazendo isso há décadas para a Petrobras”.

Apesar de ter apresentado dificuldades no último ano, o gestor afirma que “eles têm o melhor track de longo prazo, de entregas operacionais ao longo do tempo”.

Marcantonio também destacou a capacidade da empresa de gerar retornos sólidos: “esse business, com uma quantidade pequena de capital, consegue gerar um valor grande. O retorno sobre capital marginal é bastante bom, então a gente compra sem precisar colocar muito isso na conta, mas acreditamos que haverá muita geração de valor incremental ao longo dos anos”.

Além das duas empresas, o gestor revelou as outras três ações que compõem o top 5 posições do Charles River FIA.

VEJA O PROGRAMA E SAIBA AS 5 APOSTAS DO CHARLES RIVER FIA

Confira as principais ideias do Stock Picking Day 

Camilo Marcantonio foi apenas um dos três renomados investidores a participar do evento, que também contou com a presença de Octávio Magalhães, responsável por entregar mais de 4.000% de retorno com o fundo Guepardo FIC FIA, e Christian Faricelli, que alcançou 183% de retorno em apenas cinco anos com o Absolute Pace Long Biased FIC FIA.

Para descobrir as principais ideias e insights compartilhados por esses gestores, basta fazer sua inscrição gratuita e receber todo o material do evento em primeira mão.

Além das entrevistas na íntegra, você receberá em breve um e-book com os melhores momentos do Stock Picking Day. Inscreva-se no link abaixo.

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