Em 21 anos, ações do Google valorizaram mais de 7.600% — Empiricus Asset destaca 5 marcos da trajetória da big tech

Nesta segunda-feira (25), ações da Alphabet (GOOGL), dona do Google, alcançaram a máxima de US$ 210.52. Em um ano, a valorização é de quase 26%. Em cinco anos, o número sobe para 155%. E desde o IPO da companhia, em 2004, já são mais de 7.600% de lucro, considerando os dois desdobramentos da ação (splits).
Há quem se pergunte: como um simples mecanismo de pesquisa que surgiu no dormitório de uma universidade americana conseguiu revolucionar a maneira como usamos a internet e se tornar a quarta empresa mais valiosa do mundo?
É isso que a Empiricus Asset, gestora de fundos de investimento do grupo BTG Pactual, explica no último episódio de seu programa Tech Riders (disponível no Youtube).
Em nova temporada, o analista de tecnologia, Pedro Carvalho e o CIO da Empiricus Asset, João Piccioni, mergulham no surgimento das principais big techs do mundo — a começar pela Alphabet, que enfrenta um dos momentos mais desafiadores de sua história diante da ameaça de seu mecanismo de busca pela inteligência artificial.
Você pode assistir ao Tech Riders na íntegra aqui. Ou então, confira os principais destaques da jornada do Google ao longo da matéria.
Google: como uma tese de pós-doutorado se tornou a 4ª empresa mais valiosa do mundo
1. O encontro de cérebros em Stanford
A história do Google começa em 1995, na Universidade de Stanford.
Sergey Brin, que estava no segundo ano do pós-doutorado em ciência da computação, se voluntariou para fazer um tour no campus com alunos que haviam sido aceitos na universidade. No grupo de alunos, estava Larry Page, que havia sido aprovado para o PhD (também em ciência da computação).
A conexão não foi imediata. Assim que se conheceram, Brin e Page discordavam sobre quase tudo — mas no ano seguinte, descobriram afinidades no campo da pesquisa e firmaram uma parceria que mudaria os rumos da internet.
“Larry Page era filho de um casal de cientistas da computação, e Sergey Brin era filho de de um casal de matemáticos — o interesse pela ciência estava na veia”, comenta Pedro Carvalho.
E foi assim que, no próprio dormitório da universidade, a dupla começou a trabalhar em um novo mecanismo de pesquisa.
2. Antes do Google, era BackRub — e começou como um experimento acadêmico
Em parceria com Sergey Brin, Larry Page deu início a sua tese de doutorado, que consistia na criação de um mecanismo de pesquisa capaz de usar links como critério de relevância para páginas individuais da web. A ideia te soa familiar? A esse buscador, nomeou BackRub — que logo foi substituído pelo emblemático Google que nos é tão familiar hoje.
- E de onde veio “Google”? O nome foi inspirado no termo matemático “googol”, que representa o número 1 seguido de 100 zeros.
A inspiração para o sistema de hierarquia de páginas veio do próprio meio acadêmico, explica Pedro Carvalho, da Empiricus Asset.
“Assim como os papers (artigos científicos) são considerados mais relevantes conforme acumulam citações, Page e Brin perceberam que os links na internet poderiam cumprir esse mesmo papel”, disse no Tech Riders (assista na íntegra aqui).
A partir daí, a dupla desenvolveu o algoritmo PageRank, que listava todos os hiperlinks das páginas e construía uma rede de conexões capaz de identificar quais sites eram mais relevantes para cada termo pesquisado.
O resultado foi tão eficaz que o Google ganhou popularidade em Stanford. João Piccioni, CIO da Empiricus Asset, menciona que a ferramenta começou a ser tão usada que chegou a derrubar a rede da universidade devido ao alto volume de acessos.
3. O nascimento oficial da companhia
O Google não chamou a atenção somente da comunidade acadêmica — a fama do buscador logo chegou até o Vale do Silício.
Nesse cenário, Andy Bechtolsheim, cofundador da empresa de tecnologia Sun Microsystems, foi o primeiro investidor da startup. Em agosto de 1998, o executivo assinou um cheque no valor de US$ 100 mil para “Google Inc”. Mas havia um porém — a empresa ainda não existia juridicamente na época.
Assim, Larry e Sergey não perderam tempo. Um mês depois, a companhia foi legalmente fundada e já tinha seu primeiro escritório: uma garagem no subúrbio de Menlo Park, Califórnia, de propriedade de Susan Wojcicki (16ª funcionária do Google e ex-CEO do YouTube).

4. O encontro de Eric Schmidt
Larry Page e Sergey Brin, ainda muito jovens, tinham uma visão clara de onde queriam chegar. No entanto, faltava a experiência necessária para lidar com a complexidade de administrar uma startup de tecnologia e gerir pessoas.
Foi então que, em 2001, os investidores da companhia sugeriram algo decisivo: trazer um executivo experiente que pudesse oferecer supervisão e orientação estratégica.
Um dos nomes cotados foi ninguém mais ninguém menos que Steve Jobs — os analistas da Empiricus Asset contam em detalhes como foi essa história no Tech Riders (assista aqui).
O escolhido, porém, foi Eric Schmidt, nome já consolidado no setor de tecnologia.
Schmidt foi diretor de tecnologia da Sun Microsystems e, depois, CEO da Novell nos anos 1990..
E sua chegada no Google marcou uma virada de chave. Sob sua liderança, a empresa não apenas se consolidou como o principal buscador online, como também se tornou uma máquina de receita por meio da publicidade digital.
“Era como um ‘triunvirato’: Larry Page e Sergey Brin cuidavam da tecnologia e produtos, enquanto Eric Schmidt liderava gestão e vendas”, diz Pedro Carvalho.
5. IPO do Google — ou melhor, o “leilão holandês”
Em vez de seguir o modelo tradicional de abertura de capital, o Google optou por um “leilão holandês”, no qual desagradou grande parte de Wall Street.
- Nesse formato, a empresa reúne as ofertas de todos os investidores interessados e define o preço inicial pelo valor mais alto em que consegue vender todas as ações disponíveis.
A ideia era simples: evitar que as ações fossem precificadas abaixo do valor real e garantir um processo mais transparente e democrático para os investidores.
Assim, no dia 19 de agosto de 2004, o Google abriu seu capital na Nasdaq, com preço inicial de US$ 85 por ação — o que avaliou a companhia em US$ 23 bilhões em valor de mercado. Hoje, 21 anos depois de seu IPO, a capitalização da big tech corresponde a US$ 2.47 trilhões.
“Dos dois mil funcionários do Google na época, mil ficaram milionários”, conta João Piccioni. “Quem tinha a ação antes do IPO surfou uma multiplicação de 100 vezes”.
Foi um bom negócio. De lá para cá, GOOGL entregou 7.600% de lucro, (considerando os dois desdobramentos da ação). Veja:

“A receita da companhia avançou 100 vezes desde o seu IPO, de US$ 3,2 bi para US$ 300 bilhões em 2024/25”, enfatiza o CIO da Empiricus Asset.
Não é por acaso que a empresa ainda é uma das principais escolhas dos investidores. Inclusive, a Alphabet também está presente em estratégias da Empiricus Asset, como é o caso do fundo Tech Select, que reúne grandes companhias de tecnologia.
Do Google à criação do ecossistema da Alphabet — confira a trajetória após o IPO
No primeiro episódio da nova temporada do Tech Riders, Pedro Carvalho e João Piccioni abordaram o surgimento do Google até o seu IPO.
No entanto, ainda há mais 21 anos de história — que trazem a trajetória de expansão do ecossistema do Google para áreas como YouTube, Nuvem, dentre outros, até se tornar a Alphabet que conhecemos hoje.
Por isso, fique ligado no próximo episódio do Tech Riders, indispensável para quem se interessa por tecnologia, investimentos e inovação. Você pode se inscrever no canal da Empiricus Asset no YouTube aqui.