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Pix: Por que os EUA estão investigando o meio de pagamento brasileiro?

04 jun 2026, 16:00 - atualizado em 03 jun 2026, 16:14
Em confronto com o Banco Central, EUA investiga barreiras do Pix ao comércio norte-americano. Entenda conflito. - Divulgação

O Pix voltou a ocupar os holofotes do mercado nesta semana. O pivô da discussão foi a divulgação de um documento do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre as conclusões de uma investigação aberta em julho de 2025, a pedido do presidente Donald Trump.

Segundo o documento publicado, o órgão determinou que as práticas comerciais do Brasil têm “prejudicado as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico”.

O debate aparenta se concentrar na infraestrutura da transferência. Sem intermediários e sem muitas etapas, um pagamento por Pix é feito de forma instantânea, pelo celular, 24 horas por dia e sem cobrança de taxas.

Segundo dados do Banco Central, mais de 170 milhões de pessoas físicas (cerca de 80% da população brasileira) usufruem da plataforma.

Desde o lançamento no final de 2020 até o final de 2025, estima-se que o Pix já movimentou R$ 85 trilhões em transações, mais de 7 vezes o PIB do Brasil em 2024, aponta a fintech Ebanx.

Pix ameaça sistema bancário tradicional?

Na visão do analista de macroeconomia da Empiricus Research, Matheus Spiess, “o sistema brasileiro demonstrou que pagamentos instantâneos podem substituir parte da intermediação tradicional do sistema bancário”.

O mercado global de pagamentos movimenta trilhões de dólares por ano e historicamente foi dominado por redes privadas que atuam como intermediárias das transações financeiras.

O que mobiliza o mercado agora é a perspectiva de que o Pix pode ser o passo inicial para uma transformação mais ampla da infraestrutura financeira.

“Muitos enxergam nessa evolução uma prévia do papel que as stablecoins poderão desempenhar em escala global. Em 2025, essas moedas digitais movimentaram cerca de US$ 33 trilhões em transações, superando o volume processado em conjunto por Visa e Mastercard (US$ 25 trilhões)”, compara o analista.

A tendência, segundo Spiess, aponta para um sistema financeiro cada vez mais rápido, eficiente, global e programável, em que o Pix pode ser apenas um dos primeiros capítulos.

Em cenários de transformação acelerada como esse, acompanhar os movimentos do mercado e entender seus possíveis desdobramentos torna-se um diferencial para quem busca tomar decisões de investimento mais bem fundamentadas.

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Jornalista formada na Universidade de São Paulo (USP), com mobilidade acadêmica na Université Lumière Lyon 2 (França). Trabalhou com redação de jornalismo econômico e mercado financeiro, redes sociais e conteúdo SEO, além de escrever sobre literatura e turismo.
Jornalista formada na Universidade de São Paulo (USP), com mobilidade acadêmica na Université Lumière Lyon 2 (França). Trabalhou com redação de jornalismo econômico e mercado financeiro, redes sociais e conteúdo SEO, além de escrever sobre literatura e turismo.

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