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“Quem não acredita em ruptura tem de ir às compras”, diz Felipe Miranda

(Imagem: Empiricus)

As últimas semanas foram conturbadas no mercado de capitais brasileiro. Crise hídrica, ataques entre representantes de diferentes poderes e a ameaça de desrespeito ao teto de gastos fizeram o Ibovespa praticamente apagar os ganhos do ano. Para o estrategista-chefe e CIO da Empiricus Felipe Miranda – nome à frente da carteira Oportunidades de Uma Vida, que já entregou uma rentabilidade de 560% desde sua criação em 2015 -, entretanto, essas questões auxiliaram na abertura de uma janela de compra. 

“Os níveis da curva de juros estão precificados em um cenário de ruptura institucional e fiscal. Se você não acredita não acredita que isso acontecerá, como no meu caso, você deveria estar comprando”, afirmou Miranda em sua já tradicional live semanal, realizada na noite deste domingo (29). 

Neste domingo, segundo Miranda, as colunas de jornais de Armínio Fraga, na Folha de São Paulo, e de Gustavo Franco, no Estadão, afastaram o temor de que haverá algo como um golpe de estado no país. “As colunas apontam que ou o presidente caminha para o centro e abranda o discurso, pois ficar pregando para convertido já custou para ele 20% de popularidade, ou perderá força e abrirá espaço para uma terceira via”, comentou.

Além disso, falas de Arthur Lira e de Roberto Campos Neto no evento da XP na última semana também ajudaram a diminuir o pessimismo. “O Lira fez preço no mercado, trouxe elementos contundentes de que continuamos dentro do teto e que a situação está melhor do que se esperava. O Roberto Campos Neto foi na mesma linha”, disse. 

Para Felipe Miranda, além das falas, os dados de arrecadação, divulgados na última semana, corroboraram para essa interpretação: para ele, é provável é que o país feche o ano com uma relação entre dívida líquida e produto interno bruto de 80%, mostrando que o fiscal brasileiro está melhor do que se colocava.  

“Aí entramos em consonância com o discurso do Luis Stuhlberger: o juro brasileiro, esse 4,70% da NTN-B longa, deveria estar em um 3,5%, que é o juros pré-pandemia e ainda alto. Se tivermos uma convergência de 4,70% para 3,5%, é ganho para o mercado de capital”, comentou. “O alívio da curva de juros vai resultar em alívio na bolsa. Alguns setores em particular, que são mais afetados, ganharão mais folga, como consumo, varejo e incorporadoras”, finalizou.

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Para além do mercado interno, exterior também tem tendências positivas

Além da questão política e fiscal, notícias provenientes do exterior também geram mais otimismo. 

“Estava todo mundo esperando o discurso de sexta de Jerome Powell (presidente do Federal Reserve), para saber quando será a retirada dos estímulos. Ele sinalizou que isso começará a acontecer, mas de forma parcimoniosa, a partir do final ano”, comentou Miranda. Segundo o especialista, se as falas forem cumpridas, o crescimento econômico e as commodities não devem ser duramente impactados. “Muitos esperavam um gatilho negativo do discurso, e veio um positivo”.

As recentes movimentações na China, que voltou atrás e sinalizou que manterá estímulos por mais tempo,também aliviaram a pressão nas commodities, beneficiando o cenário brasileiro. “O minério de ferro vinha para o seu pior mês da história. Agora as coisas mudaram um pouquinho”, apontou Miranda.

E o cenário mudou também para o petróleo. O preço dessa commodity vem mostrando aparente melhora, segundo o analista. “Com o furacão nos Estados Unidos, podemos ter um bom momento no curto prazo”, comentou – o furacão Ida cortou, momentaneamente, 95% da produção de petróleo do Golfo do México, uma das principais regiões de extração do mundo.”

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Cenário mais positivo abre oportunidades de investimentos 

“Ainda falando de petróleo, destaco a 3R. Além do preço da commodity, a companhia com sua aquisição da última sexta-feira pressionou a PetroReconcavo. Então, é uma excepcional oportunidade de compra”, comentou. Isso porque a PetroReconcavo terá que usar o gás da 3R.

A 3R Petroleum (RRRP3) fez a maior proposta (de mais de US$ 1 bilhão) por um polo da Petrobras no Rio Grande do Norte, que conta com 26 campos terrestres e uma refinaria. Esta última é extremamente necessária para que a PetroReconcavo atenda seu contrato de fornecimento de gás natural para a Potigás. “Muito mais barata que a PetroRio, com essa capacidade de execução, pode voar”, disse Felipe Miranda. 

Além das commodities, como já mencionado, a melhora do cenário, com queda da curva de juros, tende a beneficiar as incorporadoras.Entre as preferidas do estrategista-chefe está a Direcional (DIRR3). “A Direcional está muito redonda. Vem mais um resultado espetacular no terceiro trimestre. A empresa tem R$ 1 bilhão em lançamentos. Ainda há a capacidade de gestão de gerar valor para o acionista”, afirmou. 

Para ele, a Mitre (MTRE3) também pode ter algum jogo, pois está conseguindo vender imóveis, colocando bons preços. “Foram dois lançamentos recentes. O mercado fica com essa de ‘não vai ter absorção’, mas está com recepção muito boa”. 

O estrategista-chefe e CIO da Empiricus, além das companhias mencionadas, ligadas predominantemente ao cenário econômico, ainda realizou uma série de outros comentários em sua transmissão, esses mais pontuais.

Após receber executivos da Dotz (DOTZ3) na última sexta-feira, o CIO da Empiricus disse acreditar que pode haver uma aproximação dessa companhia, que trabalha com a fidelidade no varejo e que tem mais de 49 milhões de usuários, com a Méliuz (CASH3). “Não sei, mas há um cheiro de consolidação de um grande player de lealdade e cashback brasileiro, o que faria sentido”, expôs. 

Além disso, Miranda ainda falou sobre os cases da Sequoia (SEQL3), operadora de logística, que viu suas ações caírem após um fundo de ações colocar uma boa fatia à venda, e da Cosan (CSAN3), que está entrando no setor de minério de ferro, e respondeu também questões do público sobre a Três Tentos (TTEN3), Vale (VALE3), Eztec (EZTEC3) e outras. Você pode conferir tudo clicando aqui.