Economia

Copom prepara o terreno: Selic deve seguir em 15%, mas com sinais de afrouxamento

27 jan 2026, 7:30 - atualizado em 26 jan 2026, 11:18
Selic Copom juros
Copom se reúne nesta semana e deve manter Selic em 15%; especialistas projetam corte gradual a partir de março. (Créditos: Rmcarvalho/iStock)

Nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne pela primeira vez no ano para definir os rumos da Selic. O mercado está dividido, mas a maioria aposta que o Banco Central manterá a taxa básica de juros em 15% ao ano por, pelo menos, mais uma reunião.

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Vale lembrar que a Selic está neste patamar — o mais alto em 20 anos — desde junho do ano passado, após seis altas promovidas pela autoridade monetária, que segue monitorando a trajetória inflacionária e a evolução das tensões geopolíticas internacionais, capazes de pressionar a economia interna.

O Santander destaca que, desde a última reunião em dezembro, o cenário macroeconômico mudou pouco: a inflação geral caiu conforme esperado, e a atividade econômica segue heterogênea, consistente com uma postura restritiva e um tom cauteloso. Com isso, além de manter a Selic, o banco não prevê alteração no comunicado do Copom, que reafirma que a política monetária é “significativamente contracionista por um período prolongado”.

“O Comitê deve reconhecer a desaceleração da inflação geral, mas observar que os preços subjacentes — especialmente os de serviços — continuam acima do que é consistente com a meta, e que as expectativas melhoraram ligeiramente, mas permanecem acima do centro. A projeção no horizonte de referência continua compatível com convergência sob postura restritiva”, afirmam os analistas, que projetam um corte de 0,25 ponto percentual apenas em março.

Para Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, o forward guidance (orientação futura) do Copom deve ser ajustado, sem, no entanto, enviar um sinal dovish claro ao mercado. “O Copom pode retirar a referência de que ‘não hesitará, como de costume, em retomar o ciclo de alta se necessário’ e incluir uma linguagem indicando que a postura da política monetária já é restritiva há um período razoavelmente longo e está operando como esperado (ou seja, os mecanismos de transmissão estão funcionando)”, explica.

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Segundo ele, dessa forma, o Copom mantém flexibilidade para avaliar a possibilidade de corte de juros na reunião de março, utilizando uma linguagem cautelosa que evita compromissos definitivos sobre qualquer ação.

Embora o cenário continue desafiador — com inflação acima da meta, expectativas pouco ancoradas, hiato do produto positivo, estímulos fiscais e parafiscais prestes a serem implementados, e atividade econômica e mercado de trabalho resilientes —, Ramos projeta o corte para março.

“Como as previsões condicionais de inflação ao final do horizonte relevante estão se aproximando da meta de 3% e a atividade real perdeu parte do dinamismo anterior, esperamos que o Copom abra espaço para discutir o início do ciclo de normalização da taxa já na reunião de março, assumindo que não haja surpresas de dados hawkish relevantes.”

Copom tem espaço para cortar a Selic?

Entre os mais otimistas, que veem espaço para o início do afrouxamento monetário já em janeiro, estão o BTG Pactual e o Bank of America (BofA).

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No caso do BTG, as projeções apontam para um corte de 0,25 ponto percentual, considerando que os dados mais recentes da economia brasileira mostram sinais mistos. Segundo Mansueto Almeida, economista-chefe do banco, embora a inflação de serviços e o mercado de trabalho recomendem cautela, a avaliação prospectiva do ciclo econômico, das condições financeiras e do balanço entre políticas indica que manter a taxa em nível excessivamente restritivo por mais tempo eleva o risco de custos desnecessários em termos de atividade, sem ganhos proporcionais do ponto de vista inflacionário.

“Um corte inicial e gradual já em janeiro deve ser entendido como um movimento de calibração, preservando uma postura monetária contracionista, mas reduzindo o risco de prolongamento excessivo do aperto”, afirma.

O BofA, por sua vez, projeta um corte mais amplo, de 0,50 ponto percentual, o que levaria a Selic para 14,50%. Para a equipe do banco — formada por David Beker, Natacha Perez e Gustavo Mendes —, já há espaço para uma recalibração cautelosa da política monetária.

Os analistas destacam que os juros seguem entre os mais restritivos das últimas duas décadas, enquanto as expectativas de inflação continuam se aproximando da meta. Desde o último encontro do Copom, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou de 4,5% em meados de novembro para 4,26% em dezembro. Ainda assim, a inflação de serviços mostrou alguma resistência, com serviços essenciais rodando a uma taxa anualizada de 5%.

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A reunião desta semana também ocorre em um momento técnico relevante, segundo a casa: o horizonte da política monetária avança do segundo para o terceiro trimestre de 2027, movimento que tende a favorecer uma revisão marginalmente menor das projeções de inflação. Em dezembro, o Banco Central estimava inflação de 3,2% para o 2º trimestre de 2027 e, agora, com o novo horizonte, o BofA projeta 3,1%, refletindo câmbio mais firme, atividade mais fraca e expectativas inflacionárias em gradual melhora.

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Coordenadora de redação
Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como coordenadora de redação no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
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